Maio de 68, Simone de Beauvoir
2008-04-05 11:03:49

Marco Aurélio Weissheimer , do http://www.rsurgente.net/

 

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Há dois aniversários importantes este ano: os quarenta anos de maio de 68 e os cem anos do nascimento de Simone de Beauvoir. Essas datas sempre vêm acompanhadas de uma certa artificialidade, mas servem, ao menos, para pensarmos onde mesmo que estamos hoje no mundo, e, principalmente, como estamos. Recebi a tarefa de organizar um especial sobre os quarentas anos de maio de 68 para a Carta Maior. Desde já, agradeço contribuições e sugestões de artigos, abordagens, fotos, vídeos, livros, filmes, músicas, o que for. Em maio de 68, eu tinha quatro anos de idade e morava em Caxias do Sul. Não estava, exatamente, no centro dos acontecimentos (temporal e/ou espacialmente). Mas o espírito da época, mais cedo ou mais tarde, acaba nos encontrando. Eu fui encontrar, de fato, o maio de 68, Simone de Beauvoir, Sartre e outros quetais bem mais tarde, no início da década de 80, agora morando em Passo Fundo, também conhecida (lá na região, ao menos) como capital do mundo.

E quando encontrei, a sensação foi de familiaridade. Era como se, de algum modo, aquelas idéias fizessem parte da minha vida. Hoje, encontrei por acaso um site dedicado à vida e à obra de Simone de Beauvoir. Um belo site, por sinal. Entre outras coisas, há uma galeria de imagens com algumas frases da escritora. Ao lado da foto da menina Simone, publicada aí em cima, aparece a seguinte frase: “Prometi a mim mesma não me esquecer, quando fosse adulta, de que, aos cinco anos, já se é um indivíduo completo”. Então, eu, aos quatro anos, quando ocorria o maio de 68, já era quase um indivíduo completo. Mas não é minha biografia o que importa aqui. O que importa é, que quarenta anos depois desse movimento que sacudiu o mundo, ele permanece uma idéia forte. Tanto o é, que, na recente campanha presidencial francesa, o então candidato da direita, Nicolas Sarkozy, dedicou alguns discursos para tentar decretar a morte definitiva de maio de 68.

As razões que levaram Sarkozy a fazer isso podem servir como um bom fio condutor para escrever, hoje, sobre o que era o mundo em 1968. O desejo da morte de uma idéia, expresso pelo atual presidente francês, é extremamente eloqüente. Para ele, as idéias de maio de 68 envelheceram e, finalmente, morreram. Ao ser defrontada com a seguinte interrogação, “nossa existência é uma morte lenta?”, Simone de Beauvoir escreveu: “É evidente que não. Semelhante paradoxo desconhece a verdade essencial da vida: ela é um sistema instável no qual se perde e se reconquista o equilíbrio a cada instante; a inércia é que é o sinônimo da morte. A lei da vida é mudar”.

De 68 para cá, muita coisa mudou. Mas muita coisa permaneceu também. Duas delas: “a inércia é o sinônimo da morte” e “a vida é mudança”. Paro por aqui. Por enquanto. Encerro com mais algumas palavras de Beauvoir: “a dimensão dos empreendimentos humanos não é o finito nem o infinito, mas o indefinido; essa palavra não se deixa encerrar em nenhum limite fixo”. Vivemos dias difíceis, sem grandes idéias no horizonte. Mas esse espaço de indefinição e a luta contra a inércia e a morte carregam consigo os sinais da esperança e da retomada. Pode ser um ponto de partida para olharmos para maio de 68 e tentarmos reconquistar, no presente, o que já sacudiu a inércia do mundo no passado.      







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