Frustração de infância
2007-10-26 03:07:13

Fernando Soares Campos

Durante muitos anos me senti frustrado por não ter conseguido matar a minha professora do segundo ano primário. Só matei o seu gato e cachorro de estimação.

Mas eu não era tão mau assim como alguém possa pensar.

Não matei o papagaio da avó de minha professora, pois o bicho vivia com ela há mais de cinqüenta anos. Roubei o papagaio e o vendi na feira.
 

C&MM Interativa Administra a NovaE na Internet
Conteúdo para Web, redes sociais, projetos para profissionais liberais, projetos editoriais para empresas, organizações e sociedades.
www.cmminterativa.com.br


Acusaram-me durante alguns anos pela morte da avó da minha professora, pois falavam que a velha morreu de desgosto pelo desaparecimento do papagaio. Mas eu não acredito nisso, pois o que a matou mesmo foi aquele seu desespero sem causa, aquele histerismo por causa do desaparecimento do papagaio. Ela era uma pessoa muito nervosa.

Mas não senti dó quando a professora escorregou em sala de aula e fraturou a bacia. Quem mandou ela escorregar na casca de banana que deixei nas imediações do quadro-negro? Além do mais, não foi para ela que eu coloquei a casca de banana. Foi para um colega exibicionista, que sempre se apresentava para resolver as questões que a professora escrevia no quadro.

Só sei que me senti frustrado por não ter matado minha professora. O marido dela me roubou esse prazer. O cara matou a mulher para ficar com Aninha, uma colega nossa da escola, que sempre ia à casa da professora a fim de tomar reforços escolar. Mas todo mundo sabe o que ela ia tomar mesmo. E onde!

Porém, hoje a Aninha, que já não é tão "inha" assim, está viúva. E falam por aí que o veneno para rato que ela comprava no armazém não era bem para os ratos. Sei lá!.

Mas alimento a esperança de que a Aninha tenha se vingado. Não da morte da professora, pois esta mereceu o fim que teve. Espero mesmo que a Aninha, que tanto gostava de mim, tenha se vingado de ele ter me roubado o direito de matar minha professora. 

        







Este espaço é mediado, sua mensagem será liberada após a leitura da NovaE

Nome:
E-mail(Não será publicado):
Manifeste-se:
Código:
Digite o código:


*Vera*
Inserido em: 2007-10-30 20:41:38

Quantas queríamos ver mortas, no tempo em que castigo físico era de praxe?
Eu com certeza, ao ler sua crônica, matei 3....duas foram as bruxas dos meus oito anos, a terceira criou uma barreira que me impede até hoje de me expressar em outro idioma que não seja o nosso.Odeio ingles. Fico imaginando as "mestras"(RES) de hoje, sem preparo algum descarregando suas frustrações.
Parabéns amigo, os que o criticam vestem a carapuça, pois MESTRE é aquele que a verdade não incomoda.


*Vlima Reis*
Inserido em: 2007-10-29 13:40:59

Tenho ligeira desconfiança que esse Leão, faz parte da tropa de elite de algum Sindicato. Hoje a mairoria dos Sindicatos (inclusive os dos professores) são verdadeiros cabides de empregos e corporativistas.
Quanto ao texto do Fernando, achei bastante interessante e na minha visão são fatos que acontece no nosso cotidiano. O personnagem dele teve vontade de matar a professora, e quantos de nós não teve vontade de esganar os nossos pais,rs?
Agora, se não, vejam a contradição do Leão; numa parte ele diz: "O site Novae foi, ao longo dos últimos cinco anos, minha página inicial na internet".
Depois ele fala: "Por essas e outras, minha página inicial, a partir de agora, fica em branco".
Mas aí eu pergunto pro Leão, quais os outros textos te levaram a deixa sua página inicial em branco?
Outra coisa, se você Leão não consegue encarar um texto com enfoques claros de ficção, então meu amiguinho, vou te dar uma dica:
COLOCA COMO PÁGINA INICIAL O SITE DA REVISTA CARAS.


*Glória*
Inserido em: 2007-10-27 23:13:36

É isso aí, Fernando. A reação do Guilherme Leão só vem ratificar mais uma vez o que sempre afirmo: os professores são "intocáveis', a sociedade elegeu a escola como instituição sagrada, que não pode ser questionada, cobrada nem fiscalizada. Daí o retumbante fracasso educacional em nosso país. Como dizia o nosso Nelson "toda unanimidade é burra'. Sou professora aposentada, vivi quase 30 anos dentro da escola pública, assisti a cenas indescritíveis de horror e covardia com nossas crianças, principalmente pobres e negras, e continuo deparando com este circo de horror no meu trabalho como voluntária atualmente. Fiz o que pude, escrevi o livro denunciando, a edição se esgotou, todo mundo leu e recebi inúmeras mensagens de pessoas descrevendo suas esperiências terríveis na escola, mas não mexeu um milímetro com a reputação dos habitantes do Olimpo escolar. O "coitadismo" dos professores impera: "é uma das profissões mais aviltadas ao longo das últimas décadas no Brasil". Certamente, este leitor não deve conhecer outras profissões aviltadas, deve fazer parte do Olimpo.


*Fernando Soares Campos*
Inserido em: 2007-10-27 22:04:56


Caro Guilherme Leão, a professora Glória Reis é baluarte em defesa do ensino de qualidade e defensora dos direitos humanos. Ela sabe do que está falado, e você entenderia melhor do que ela fala se lesse o seu livro “Escola, instituição da tortura”.

Quanto ao meu texto, devo dizer que se trata de uma crônica, baseada em fatos reais, com recheios de ficção, para tornar a leitura mais interessante, capaz de indignar pessoas como você e a professora Glória Reis, sob pontos de vista distintos, mas ambos igualmente indignados.

Não sou o personagem da história. Estou me referindo a um colega meu de infância, o “Gui-Gui”, também conhecido por “Leãozinho”. Creia, o garoto era fera!

Mas se você ficar mais um pouquinho, vai ler “as frustrações de sala de aula”, onde um professor aposentado fala de suas frustrações no relacionamento com os alunos.


.



*Guilherme Leão*
Inserido em: 2007-10-27 10:09:20

Caro Fernando Soares


O site Novae foi, ao longo dos últimos cinco anos, minha página inicial na internet. Antes de ler as baboseiras que a “grande mídia” traz, lia as vossas matérias. Fiquei impressionado pelo enfoque crítico destinado à revista Veja e à Folha de São Paulo. A cobertura de diversos assuntos foi muito esclarecedora e engajada, forte mesmo. Imprimi, não sei quantas vezes, a matéria "Laboratório de invenções da elite" para distribuir entre familiares e amigos. Soube, por intermédio destes, que o conteúdo estava sendo usado por professores da área de jornalismo.
No entanto, seu texto "Frustração de infância" poderia fazer parte de quaisquer dos periódicos por este site combatidos.

Além de ser um escrito de péssima qualidade, fere uma das profissões mais aviltadas ao longo das últimas décadas no Brasil. “Só sei que me senti frustrado por não ter matado minha professora”. Lamentável. “Mas não senti dó quando a professora escorregou em sala de aula e fraturou a bacia. Quem mandou ela escorregar na casca de banana que deixei nas imediações do quadro-negro? Além do mais, não foi para ela que eu coloquei a casca de banana. Foi para um colega exibicionista, que sempre se apresentava para resolver as questões que a professora escrevia no quadro”. Igualmente lamentável.

Não bastasse isso, as manifestações dos leitores sustentam esta linha de argumentação. Sim, o celular deve ser banido da sala de aula pelo simples fato de causar enorme interferência neste ambiente de trabalho – como em qualquer outro. Sim, as professoras continuam "de salto alto" (não sei definitivamente o que motivou essa expressão), gritando nas escolas e nos sindicatos, para que pessoas como a senhora Glória Reis possam tacar-lhes pedras e chamar-lhes de retrógradas.

Por essas e outras, minha página inicial, a partir de agora, fica em branco. Obrigado por todos estes anos de esclarecimento.


Atenciosamente,


Guilherme Leão



*carlinhos medeiros*
Inserido em: 2007-10-26 16:16:45

Bela crônica, eu também já senti vontade de matar minha professora e não sou tão mau assim...


*Glória Reis*
Inserido em: 2007-10-26 15:58:24

Fernando, ainda bem que foi você quem sobreviveu nessa história, sabe-se que a maioria dos alunos não sobrevive, enquanto as professoras continuam de salto alto gritando nas escolas e nos sindicatos. Você viu o que elas conseguiram em São Paulo?? Proibição de celular em horário escolar. Vai ser um tal de tomar celular de aluno, chamar a polícia, mais do que já fazem. Interessante que a lei passou rapidinho, a pedido delas. Já viu, era um perigo, celular filma, fotografa, enfim, testemunha "tudo" que acontece em sala de aula. Como elas iriam continuar torturando impunemente?