http://www.novae.inf.br/site/images/top1.jpg

A s s i n e   o   b o l e t i m   N o v a E   Cadastrar Descadastrar      

http://www.novae.inf.br/site/images/menu.jpg

Deputados criam um novo trem da alegria
| Share

Cristina Moreno de Castro, do Tamos com Raiva

Fazia tempo que um projeto de lei não criava tanta polêmica na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, como o PLC 27/07, enviado pelo governador Aécio Neves há mais de dois meses. Ele pretende cobrir uma dívida de quase R$ 6 bilhões que Minas tem com o INSS, ao trazer para a responsabilidade do Estado a aposentadoria de milhares de servidores contratados entre 1990 e 2006 sem concurso público. Desde a reforma previdenciária feita por Fernando Henrique em 1998, esses servidores devem se aposentar pelo INSS, apesar de terem continuado a contribuir no regime previdenciário do Estado. Se o PLC for aprovado, 98 mil contratados, quase todos da área de Educação, seriam efetivados sem necessidade de prestar concurso público, como determina as constituições Federal e Estadual. Desses, cerca de um quarto já estaria em condições de se aposentar pelo Ipsemg, sendo, portanto, beneficiados com a medida.

Ou seja: o Estado poderia sanar sua dívida com o INSS e milhares de servidores, contratados há mais tempo e que sempre contribuíram pelo regime próprio, poderiam receber os benefícios dos concursados. Parece bom pra todos.

O problema é que parece tão bom que os deputados resolveram atracar seu vagão nesse trem da alegria. Durante os dois meses de trâmite na Assembléia, nada menos que 16 emendas foram apresentadas por eles. Numa delas, do deputado tucano Irani Barbosa, o benefício seria estendido a empregados do Executivo, do Judiciário e da própria Assembléia. Ou seja: empregados de gabinete dos deputados, contratados há cinco anos, teriam os mesmos direitos de alguém que prestou concurso. Nenhum de nós ignora que grande parte desses contratados tem parentesco com esses adoradores da Fênix do nepotismo, que está sempre a ressuscitar por mais que se a combata.

Essa emenda foi barrada nesta quinta-feira pela Comissão de Fiscalização Financeira da Assembléia Legislativa, mas ainda poderá ser votada em plenário, na forma de substitutivo. O deputado Irani Barbosa (PSDB) disse ontem, em entrevista na TV Globo, que vai pedir destaque ao seu substitutivo.

Além do absurdo dessa situação, temos outra questão no mínimo incoerente. Enquanto o PSDB nacional não se cansa de criticar o governo Lula pelo inchaço administrativo e o excesso de contratações, o PSDB mineiro defende o mesmo inchaço para beneficiar seus compadres às custas do dinheiro público, mesmo num Estado incapacitado de pagar uma dívida que vem desde 1998. Naquele ano, o governador Eduardo Azeredo, do PSDB, renegociou a dívida com o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, que era de R$ 18 bilhões no fim do seu mandato. Por causa dos juros, já está hoje em R$ 42 bilhões, apesar de os governos Itamar Franco e Aécio Neves terem pagado em dia as prestações. Se depender dos deputados oportunistas da Assembléia Legislativa, essa dívida continuará em curva ascendente.

Como em outras ocasiões importantes para o contribuinte mineiro, ele só ficou sabendo agora desse trem da alegria -- por culpa da imprensa que não acompanha criticamente os atos do governador e dos outros poderes. Dificilmente terá tempo para montar um movimento que impeça a ousadia dos deputados que querem, mais uma vez, botar a mão na massa. Nesse caso, ainda há uma chance: a do veto do governador às emendas dos deputados e, em último caso, o recurso ao Supremo sobre a constitucionalidade da lei.    

10.2007

Leia + Cristina Moreno de Castro na NovaE:

  Brinquem, crianças
  O Brasil quer seu muro da vergonha
  Excomunguem-se!
  Um retrato de Gilmar Mendes
  Maria não entra na política
  Um ladrão honesto
  A história de um blog com raiva
  Elucubrações sobre um arrombamento
  Você sabe se seu candidato está limpo?
  Dez votos em um
  As duas mãos de Jarbas Soares Junior
  A curva em queda mais feliz da história
  Uma "comunista" na prefeitura de BH?
  A dança do PSDB um dia acaba
  E o pior é que homofobia não é crime
  Escravos do racismo
  Petistas que alimentam Aécio
  A fantástica lixeira de mil reais
  A PM mineira tem saudades da censura
  Por que ainda TAMOS COM RAIVA
  Haja Dia das Mulheres!
  Vizinhos com culpa no cartório
  Por uma imprensa sem demônios
  Direitos Humanos sem fronteiras políticas
  Sucursal das Incertezas
  Um governo de MENTIRA
  UM parlamentar = R$ 10 milhões
  O verdadeiro jejum é do Velho Chico
  Foi reprise
  Mundo Cão
  Será reprise?
  A CENSURA está onde a gente menos espera
  A mídia crucifica o padre
  Prece-poema para o Soldado Americano
  Vade retro, Preconceito!
  Zeca do PT na ponta do iceberg
  Detalhes do escândalo do "Zeca do PT"
  PT também faz milagre da multiplicação dos pães
  Deputados criam um novo trem da alegria
  O bico afiado do tucano Azeredo
  Aécio Neves sob nossos holofotes
  Como o Senado nos chamou de PALHAÇOS
  Terra sem lei
  Promotores de justiça que nos MATAM de raiva
  Agora prefiro conversar a R$ 1,23/minuto
  A arrogância do doutor


Fortaleça a imprensa independente do Brasil e a Livre Expressão ao disseminar este artigo para sua rede de relacionamento. Imprima ou envie por e-mail.

Trincheira da Livre Expressão:

     

Receba no seu e-mail boletim com novos links para novos artigos
 Cadastre-se agora

Mas o que é a Novae?
Novae: uma história de amor ao copyleft                                



Manifeste-se!

Nome:
E-mail:
Dê sua opinião:
Código:
Digite o código:


*Ana Lopes Bhering Gomes *
analbhering@yahoo.com.br
Inserido em: 2008-01-30 16:21:19

Fui efetivada como Supervisora no meu segundo cargo, no primeiro no qual atuei como professora a quase 20 anos, por não estava trabalhando devido ao último concurso público, o que faço com esse tempo que contribui para o IPSEMG? Se não consigo contrato por não estar trabalhando na data da Efetivação?


*Gravatai Merengue*
gravata@gmail.com
Inserido em: 2007-10-08 03:35:08

Cris, há dois comentos:

a) A Constituição Federal veda esse tipo de coisa; ou seja, a Lei pode até passar, mas não é válida e o STF derruba (mesmo esse STF derruba);

b) Isso serve para mostrar que o PSDB mineiro não é um exemplo de partido que "enxuga" os cargos estatais, né?
 Publicado em: 2007-10-05 por cristina, última modificação em: 2007-10-05 por admin

 

 

     

NovaE.inf.br é uma revista pluralista na divulgação de idéias e conceitos a respeito de Internet, nova economia, cibercultura, política, cultura, literatura, mídia, comportamento, filosofia e cidadania. Portanto, as opiniões emitidas em colunas e em artigos assinados não correspondem, necessariamente, à opinião dos editores.
Conteúdo autorizadoSaiba mais sobre o projeto.

Desenvolvido com tecnologia PHP-Nuke, liberado sob licença GNU/GPL.

Desenvolvimento de sites em Santa Catarina: CMM Interativa.

Para visualizar melhor a NovaE utilize a configuração de tela 1024 x 768