Como o Senado nos chamou de PALHAÇOS
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Cristina Moreno de Castro, do Tamos com Raiva

Renan Calheiros (PMDB-AL) foi acusado de:

1- Usar recursos da empreiteira Mendes Júnior, por meio do lobista Cláudio Gontijo, pra pagar despesas pessoais de R$ 12 mil mensais pra jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha.

2- Beneficiar a empresa Schincariol junto ao INSS, numa dívida de mais de R$ 100 milhões, depois que o irmão Olavo Calheiros (PMDB-AL) vendeu uma propriedade para a cervejaria por um preço acima do mercado.

3- Fazer grilagem de terras no Alagoas, com o irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL).

4- Ser sócio oculto de duas emissoras de rádio de Alagoas, que valem cerca de R$ 2,5 milhões, usando laranjas, que teriam recebido R$ 1,3 milhão.

5- Participar de esquema de desvio e lavagem de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB, num esquema de arrecadação com o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho -- pai de uma funcionária de Renan.

Em sua defesa, apenas mostrou documentos referentes à compra de gado de sua propriedade que, segundo ele, era suficiente pra comprovar que tinha condições de pagar a pensão à jornalista Mônica Veloso. No entanto, desde 21 de agosto, a perícia da Polícia Federal já veio a público dizer que os documentos de Renan não foram suficientes pra comprovar sua capacidade financeira de bancar a jornalista.

Trocando em miúdos: o Presidente do Senado está atolado até a tampa em cinco graves acusações que envolvem quebra de decoro e corrupção ativa, e sua única defesa foi refutada pela Polícia Federal.

Em qualquer país com um pingo de bom senso, isso significaria cassação. Mas, no Brasil, tcha-ram!, ele foi mantido no cargo. Manteve não só o mandato, mas a presidência do Congresso Nacional. Por 40 votos de aliados, contra 35 favoráveis à cassação e seis abstenções.

No dia 25 de julho, cheguei a dizer no blog que "desta vez acho que o Renan não se livra, não". Seu caso estava sendo investigado há exatamente dois meses e as pilhas de denúncias pareciam não ter fim. Mas esqueci que estou no "país da piada pronta", em que, após tantos escândalos de corrupção, apenas UM senador foi cassado na história política brasileira. Luiz Estevão é o que entrou pra história, em 2000. Outros, mais espertos, renunciaram antes de ter as asinhas podadas, garantindo, assim, um retorno seguro nas eleições seguintes. Foi o caso de José Roberto Arruda, ACM (já foi tarde!), Jader Barbalho e, mais recentemente, Joaquim Roriz. Neste país, Collor pode ter despesas pessoais pagas num esquema de corrupção com direito a laranjas e contas fantasmas, mas, depois de afastado da vida pública por oito anos, pôde eleger-se senador em 2006.

Como levar a sério nossas leis, se quem as faz são os primeiros a burlá-las? Como acreditar numa corja de legisladores com o rabo tão preso -- inclusive com o Executivo -- que sequer aceita sessões abertas de um julgamento político tão importante? Por que Mercadante, um petista, se absteve de votar, ajudando, indiretamente, na impunidade de Calheiros? A quem, afinal, interessa sua permanência no Congresso, uma vez que, sob os holofotes da mídia, quase todos se declararam contra a permanência de Renan no Senado? Por que não mostram as caras? O que têm a esconder? Sim, um rabo, grande, sujo e preso, com muita grana envolvida. Muito mais grana do que podemos calcular.

Nós, cordeirinhos, ainda votamos de dois em dois anos. Ainda fazemos campanha, pesquisamos a vida dos políticos, depositamos fé em alguns dígitos de uma urna (suspeitíssima) eletrônica. Pra quê? Pra ver cinco graves acusações sem defesa serem engavetadas, fedendo a pizza putrefata, pintando um quadro de uma democracia fajuta. E eles roubarem, renunciarem e voltarem na próxima eleição...   

09.2007

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