A arrogância do doutor

Cristina Moreno de Castro, do Tamos com Raiva

Ao entrar no elevador do elegante prédio da Procuradoria Geral de Justiça de Minas Gerais, num bairro nobre de Belo Horizonte, me deparei com um homem alto, de terno azul. A luz do 12º andar estava acesa. Nem bem entrei, ele foi avisando: 

– Deixa eu subir primeiro para o 12º andar e depois você vai pra onde quiser.

Distraída e incapaz de compreender de imediato um pedido estapafúrdio daqueles, apertei o botão do segundo andar, para onde eu ia trabalhar.

O grandalhão ficou irritadíssimo e perguntou, quase gritando: 

– Eu não avisei que era para eu subir primeiro? Por que você apertou o botão do segundo andar?

Depois dessa, três office-boys que pretendiam entrar no elevador recuaram. Preferiram aguardar por um dos outros dois elevadores do prédio.

Perplexa, balbuciei qualquer coisa e desci o mais rápido possível quando chegamos ao segundo andar. Se não tivesse ficado tão surpresa, provavelmente teria respondido com as mesmas palavras indignadas que usei para descrever a cena aos meus colegas. A gerente, depois de saber que o Homem de Terno era jovem e tinha olhos muito azuis, explicou que provavelmente se tratava do poderoso chefão, o Procurador Geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares Júnior.

Ao saber disso, minha indignação atingiu níveis estratosféricos. Então o Procurador se julgava tão importante que tinha preferência para subir num elevador público? (Sim, porque eu não havia entrado no elevador privado da Procuradoria, próprio para acalmar o ego de alguns funcionários). Julgava-se tão superior que os três segundos gastos para a minha descida no segundo andar ocupariam demais seu precioso tempo? Seria assim uma companhia tão agradável que achava que eu não me importaria de acompanha-lo até o décimo segundo andar sem nenhum motivo?

Fiquei me perguntando se ele também obrigava os vizinhos de prédio (caso more em um prédio) a aguardarem, passivamente, que ele chegasse primeiro ao próprio apartamento antes de apertarem os botões dos andares de seus respectivos lares. Sim, porque o poder, quando nesse estágio avançado de prepotência, não encontra limites geográficos ou sociais.

Justamente como aconteceu com o juiz da 6ª vara criminal de São Gonçalo, Antônio Marreiros da Silva Melo Neto, que perdeu a noção do ridículo ao querer obrigar que todos os funcionários e vizinhos de seu condomínio o chamassem de "doutor". O caso, para quem não se lembra, aconteceu em 2004. O Doutor Marreiros fez essa petição porque se sentia desrespeitado toda vez que o porteiro o chamava de "você". Também quis uma indenização de 100 salários mínimos por danos morais. E o pior é que o desembargador Gilberto Dutra chegou a conceder uma liminar, em novembro de 2004, que atendia o pedido do colega. Em seu despacho, disparatou o seguinte:

"Tratando-se de magistrado, cuja preservação da dignidade e do decoro da função que exerce, e antes de ser direito do agravante, mas um dever e, verificando-se dos autos que o mesmo vem sofrendo, não somente em enorme desrespeito por parte de empregados subalternos do condomínio onde reside, mas também verdadeiros desacatos, mostra-se, data vênia, teratológica a decisão do juízo a quo ao indeferir a antecipação de tutela pretendida. Isto posto, defiro-a de plano. Oficie-se, inclusive solicitando as informações e indagando sobre o cumprimento do art. 526, do CPC. Intimem-se os agravados para contra-razões, por carta."

Felizmente o bom senso do juiz Alexandre Eduardo Scisinio, da 9ª Vara Cível de Niterói, cancelou a liminar, por entender que "Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário". Sua sentença, mais tarde apelada pelo doutorzinho inconformado, merece ser lida na íntegra, por nos dar uma aula de Direito, Lingüística e, principalmente, bom senso.

Títulos devem ser conquistados por mérito, não por imposição. Num país em que os poderosos já têm todos os privilégios possíveis -- não pagam quase nenhuma taxa, lucram com os juros altos, têm vagas nas garagens, credibilidade no comércio, convites luxuosos e ditam as leis e as notícias dos jornais -- é ridículo, injusto e abusivo querer que o elevador público seja de uso exclusivo. Se continuar assim, em breve seremos forçados a subir pelas escadas.

08.2007

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*Cristina Moreno de Castro*
tamoscomraiva@hotmail.com
Inserido em: 2007-10-01 13:59:54

Caro Sr. Edvaldo,
Apesar de sua resposta estar dirigida ao meu pai, eu devo, evidentemente, replicar, diante de tantas distorções.

Para evitar possíveis equívocos, vou responder a cada um de suas linhas, separadamente.

1. "(espero não ter trocado nenhuma letra, para não incorrer em erro grave, nem aumentar a sua fúria)"
É até engraçada essa imagem de furioso que você construiu do meu pai. Ele é um dos poucos que entra num debate com a cabeça fria, expõe seus argumentos de maneira pacífica e muitas vezes dá o braço a torcer diante dos argumentos dos outros. Não é do tipo que se enfurece em debates, pode ter certeza. Fiquei curiosa com o que poderia ter te causado esta impressão naquele discreto comentário do meu pai. Mas esse é o perigo dos textos escritos: os leitores nunca conhecem o verdadeiro tom das palavras. Falta o contato do olhar e da respiração para que se entenda a verdadeira intenção do verbo.

2. "ela expôs o que considerou 'a sua verdade' (conceito interessante, já que a colunista supôs que a pessoa ao seu lado era o Procurador-Geral com base num 'palpite', que transcrevo..."
Que engraçado! Será que o senhor realmente achou que eu iria me dar ao trabalho de escrever um artigo desse tamanho, e publicá-lo em dois sites (dando meu nome e meu cara a tapa) se não tivesse me certificado de que o "palpite" estava correto? Se entrar no meu blog, o senhor poderá verificar que publiquei uma foto do Procurador-Geral. Pude, portanto, confrontar minha memória com várias fotografias que encontrei na internet. Além disso, a personagem da minha narrativa estava se dirigindo ao 12º andar - local onde trabalha o dr. Jarbas.

3. "... acreditei que ela estivesse realmente disposta a ouvir não só os elogios, mas também as críticas daqueles que não acreditam naquilo que estava escrito. Ao que parece, este, sim, foi o meu principal equívoco."
É claro que as críticas são extremamente bem-vindas, principalmente quando bem fundamenadas. Se o senhor se der ao trabalho de ler outros artigos que publiquei na NovaE nos últimos tempos, irá se deparar com várias dessas críticas. A maioria delas, no artigo que escrevi criticando a absolvição de Renan Calheiros. Ao contrário do que o senhor imagina, não sou do tipo que nunca dá o braço a torcer, que se acha a dona da Verdade, etc. Várias vezes já mudei completamente de posição sobre um assunto, depois de uma boa discussão com alguém de opinião contrária. Mas é claro que, se alguém chega atacando justamente o que é mais valioso para um jornalista - sua credibilidade -, minha postura é de defesa. Não contra a crítica, mas contra seu julgamento a respeito da minha palavra e da minha honra. Se o senhor reler seu comentário, verá que me chamou de MENTIROSA. Eu poderia ir além: se tivesse realmente fantasiado a respeito de todo esse episódio e ainda me desse ao trabalho de escrever tamanho artigo sobre ele, e de buscar publicá-lo, deveria ser, no mínimo, considerada uma pessoa doente. Daí porque respondi de maneira "exaltada". E, tanto meu pai como o advogado Gravatai Merengue, também se viram incitados a argumentar de maneira parecida.

4. "Em outras palavras, o senhor também não estava lá, e nem tentou entrevistar o outro envolvido no “lamentável episódio”. Mesmo assim, acreditou piamente nas palavras da colunista, formando sua opinião, de forma unilateral, com base naquilo que o senhor denomina “testemunho fidedigno”."
Meu pai não assinou o artigo acima. A responsabilidade pelo que está publicado na NovaE é exclusivamente minha, uma vez que eu era a única pessoa lá. E, se o senhor reler com mais cuidado o comentário do meu pai, verá que em momento nenhum ele afirmou que o que eu disse era verdade. Apenas perguntou como o senhor sabia que o que eu dizia não era verdade, e como poderia afirma-lo tendo apenas com base sua amizade com o dr. Jarbas. Transcrevo, para não ficar dúvidas: "Mas não concordo quando afirma que aquilo que ela escreveu não é a verdade. Como sabe disso? Sei que não a ouviu. Espero que tenha conversado a respeito com o dr. Jarbas, ouvindo ao menos um dos lados, antes de se manifestar aqui."

5. "Tomar as declarações da sra. Moreno como verdade absoluta simplesmente porque “ele [o Procurador-Geral] não veio aqui se defender” é tripudiar sobre a inteligência alheia."
Também meu pai, em momento algum, disse que o que escrevi era "verdade absoluta" só porque o Procurador não veio se defender. Ele apenas constatou o óbvio: que a única pessoa capaz de contestar o que eu afirmei como verdade é o único que se encontrava presente no momento, ou seja, o dr. Jarbas. E que, portanto, ele seria o único capaz de dizer que eu estou mentindo, ficando, aí, a palavra de um contra a do outro. É engraçado o senhor acusar alguns jornalistas "de quinta categoria" de fazer algo que o senhor está fazendo: lançar ofensas (ou, o que é pior, acusações) gratuitamente.

6. "para depois angariar notoriedade a partir resposta dos ofendidos, embora eu tenha certeza de que não foi esta a intenção da colunista."
Fico feliz que não me acuse disso também. Se bem que, se sou capaz de inventar tamanha mentira e sair publicando artigos sobre ela por aí, devo estar querendo um bocado de notoriedade, não é?

7. "Ademais, o senhor ignora, como eu afirmei acima, o que consta na própria coluna: “manifeste-se, dê sua opinião!”, mas eu não sabia que era mera retórica."
Não, não é mera retórica. Nada me deixa mais satisfeita que ver que um artigo publicado aqui receber comentários de pessoas esclarecidas, mesmo que recheados de críticas. Muitas críticas já me fizeram rever muitos conceitos. Mas, como eu já disse antes, o senhor atacou, em sua manifestação, o que me é mais valioso: minha credibilidade, minha honra, minha palavra. O que me pediu uma manifestação em resposta. Afinal, o espaço é livre para todos nós, inclusive para que os colunistas se manifestem.

8. "Boa noite e boa sorte."
Um bom gosto para filmes o senhor tem! :)

Att,
Cristina, do "Tamos com Raiva" (sem sic, mas com reverente respeito à Lingüística ;)


*EDVALDO COSTA PEREIRA JR*
edvaldo-pereira@uol.com.br
Inserido em: 2007-10-01 02:02:44

Prezado senhor José de Souza Castro (espero não ter trocado nenhuma letra, para não incorrer em erro grave, nem aumentar a sua fúria),

Li os seus comentários e os da sra. Cristina Moreno. A ela, não responderei por um motivo simples: ela expôs o que considerou “a sua verdade” (conceito interessante, já que a colunista supôs que a pessoa ao seu lado era o Procurador-Geral com base num “palpite”, que transcrevo: “A gerente, depois de saber que o Homem de Terno era jovem e tinha olhos muito azuis, explicou que PROVAVELMENTE se tratava do poderoso chefão...”- grifei) e, embora exaltada, o fez com educação. Mas, sobre o seu texto, não poderia deixar de tecer alguns breves comentários.

Ao ler a coluna “Tamos com raiva” (sic), subscrita pela jornalista Cristina Moreno, e verificar que a ela se seguiam as frases “Manifeste-se”, “Dê sua opinião”, acreditei que ela estivesse realmente disposta a ouvir não só os elogios, mas também as críticas daqueles que não acreditam naquilo que estava escrito. Ao que parece, este, sim, foi o meu principal equívoco. Para que tudo fique claro, sugiro que, além das exortações acima, se acrescente uma terceira: “Só aceitamos encômios; tudo o mais será tratado por meu genitor... a pauladas”.

Outro aspecto interessante: o senhor aponta a mim o mesmo erro no qual incorre. Tomando por base o que escreveu a sra. Moreno, não havia ninguém mais no malfadado elevador, além do Procurador-Geral e dela própria. Em outras palavras, o senhor também não estava lá, e nem tentou entrevistar o outro envolvido no “lamentável episódio”. Mesmo assim, acreditou piamente nas palavras da colunista, formando sua opinião, de forma unilateral, com base naquilo que o senhor denomina “testemunho fidedigno”. Assim, chego a uma conclusão parecida com a sua: se o senhor elabora suas matérias dessa forma, "ficaria surpreso se o resultado fosse o que se espera" do jornalismo (sei, porém, que não se pode medir a Imprensa brasileira pelo seu exemplo).

Nada tema quanto ao meu exercício profissional: eu não atuo nos processos em que amigos sejam partes, o que me é vedado pela legislação e pela minha consciência; mas na vida pessoal, defendo e seguirei defendendo meus amigos dos ataques injustos.

Tomar as declarações da sra. Moreno como verdade absoluta simplesmente porque “ele [o Procurador-Geral] não veio aqui se defender” é tripudiar sobre a inteligência alheia. Muitas vezes, as pessoas não se “defendem” porque não vêem na fonte acusadora a idoneidade exigida para a resposta, dentre outros motivos. Aliás, é típico do jornalismo de quinta categoria lançar ofensas, para depois angariar notoriedade a partir resposta dos ofendidos, embora eu tenha certeza de que não foi esta a intenção da colunista. Mas é bom que se diga: o próprio Código de Processo Penal brasileiro garante que o silêncio não importará confissão.

Por fim, ao dizer que eu escrevi à coluna porque sou “subalterno” do Procurador-Geral e que defendi um amigo “por ser promotor de justiça em Ouro Preto” (ou seja, insinuando que eu procedi por bajulação ou por ordem de alguém), o senhor desce ao nível da ofensa pessoal, o que não merece maiores comentários, salvo dois: primeiro, os membros do Ministério Público gozam de independência funcional, assegurada pela Constituição Federal (a mesma que também garante a liberdade de imprensa), de modo que classificar-me de "subalterno" denota ignorância; segundo, de um jornalista com mais de trinta anos de exercício profissional eu esperava uma argumentação mais sofisticada, menos tosca. Ademais, o senhor ignora, como eu afirmei acima, o que consta na própria coluna: “manifeste-se, dê sua opinião!”, mas eu não sabia que era mera retórica.

Não vou me alongar, nem tornarei a dirigir-lhe quaisquer outros comentários, afinal o senhor é o dono da última palavra nesse jornal; só não é o dono da Verdade, felizmente.

"Boa noite e boa sorte."

Atenciosamente, Edvaldo Costa Pereira Jr.



*Gravatai Merengue*
gravata@gmail.com
Inserido em: 2007-09-28 22:19:48

De um lado, o depoimento da Cristina, que aparentemente nunca teve nada contra o Procurador-Geral de MG. De outro, a opinião de um membro do MP mineiro, que é - tecnicamente - subordinado ao Procurador e, como ele próprio se qualifica, um "amigo".

Não é preciso ser muito versado em Direito para saber que um AMIGO não serve para testemunhar coisa alguma. Prova disso é que o AMIGOS dão opinião ATÉ SOBRE AQUILO QUE NÃO TESTEMUNHARAM.

Não achei o texto arrogante. Aliás, bem ao contrário, parece que o texto trata da arrogância alheia.


*José de Souza Castro*
josedesouzacastro@hotmail.com
Inserido em: 2007-09-27 19:40:17

Caro Edvaldo. Conheço a Cristina Moreno (não Morena, mas este é apenas um dos seus equívocos...) há mais tempo do que o senhor conhece o dr. Jarbas Soares Júnior, pois sou o pai dela. Respeito seu desejo, como promotor de Justiça em Ouro Preto, de defender um amigo. E, mais ainda, respeito sua manifestação de respeito à liberdade de imprensa. Mas não concordo quando afirma que aquilo que ela escreveu não é a verdade. Como sabe disso? Sei que não a ouviu. Espero que tenha conversado a respeito com o dr. Jarbas, ouvindo ao menos um dos lados, antes de se manifestar aqui. Se é desse modo que o senhor prepara suas denúncias contra suspeitos, fazendo afirmações sem base em fatos ou testemunhos fidedignos, ficaria surpreso se o resultado fosse realmente o que se espera da justiça. Pelo relato da Cristina, no elevador só estavam ela e o procurador-geral de Justiça. Se este negasse o que ela escreveu, teríamos a palavra dele contra a dela e cada um que as lesse poderia fazer o próprio juízo, de acordo com suas convicções pessoais e do conhecimento que tenha dos envolvidos no lamentável episódio. Mas ele não veio aqui se defender. Por que então o senhor que, afinal, além de amigo é de algum modo subalterno dele, o faz? E ainda levantando suspeitas contra ela, sem qualquer preocupação, neste caso, em atacar a honra alheia?


*Cristina Moreno de Castro*
tamoscomraiva@hotmail.com
Inserido em: 2007-09-27 18:09:49

Caro Sr. Edvaldo,
Também não o conheço. Mas, o que lhe dá o direito de supor que suas impressões sobre o sr. Jarbas sejam mais verdadeiras do que o meu relato sobre o caso? O que lhe dá o direito, constitucional ou não, de atacar a minha verdade? O sr. estava no elevador, no térreo ou no 2º andar naquele dia? Acompanhou o desenrolar dos acontecimentos?
Eu estava lá, e posso afirmar que o senhor não estava.
Então fique com suas impressões sobre o seu amigo, que eu fico com a minha verdade que, para o seu dissabor, é coincidentemente a verdade dos fatos, nem uma vírgula a mais.
Concordo que dezessete anos de convivência lhe dão muito mais conhecimento sobre uma pessoa do que dez segundos de contato num elevador. Mas isso não torna minha experiência menos real. Talvez signifique que, naquele dia, o doutor Jarbas não estava de bom humor. Ou talvez o senhor não conheça seu amigo tão bem assim - como posso saber?

Por falar em honra alheia, em arrogância, como o senhor qualifica o seu próprio depoimento?


*edvaldo costa pereira jr*
edvaldo-pereira@uol.com.br
Inserido em: 2007-09-26 21:10:19

Não conheço a sra Cristina Morena de Castro, mas conheço o dr. Jarbas Soares Júnior, de quem sou amigo há dezessete anos e, por assim conhecê-lo, sei que ele é uma pessoa incapaz da indelicadeza descrita pela jornalista. Aliás, a comparação com o caso de Niterói é completamente descabida, não há paralelo possível. De qualquer forma, todos têm o direito constitucional de dizer o que quiserem, ainda que aquilo que digam não seja a verdade. Melhor isso do que vivermos sem liberdade de expressão; melhor a arrogância da jornalista que ataca a honra alheia do que a supressão da liberdade de imprensa.

Edvaldo Costa Pereira Jr.


*Cristina Moreno de Castro*
tamoscomraiva@hotmail.com
Inserido em: 2007-09-10 21:06:05

Cara Amália,

Quando escrevi o texto acima, fiz uma enorme pesquisa sobre o caso do Marreiros, já que estava decidida a compará-lo à pompa demonstrada pelo nosso (de Minas) procurador-geral de Justiça. Foi no site Consultor Jurídico, do Estadão, que encontrei a petição inicial do juiz e, é claro, a bela sentença do juiz Alexandre Scisinio, cuja leitura recomendei no artigo. O link da petição inicial, caso interesse aos outros leitores, é o seguinte: http://conjur.estadao.com.br/static/text/31121,1 .

Não acho que o maior problema tenha sido uma rixa de condomínio ser levada ao Judiciário. Se houve distorção do uso da lei, que ela seja reivindicada pelo juiz, bom conhecedor de seus direitos. Mas acho que cabe a mim discordar de quase tudo o que você colocou.

Primeiro: o doutor Marreiros não foi "diversas vezes destratado", até onde me consta depois das leituras que fiz. Simplesmente não foi tratado como "senhor" ou "doutor", mas pelo nome e pelo uso coloquial do "você". Que, como bem disse Scisinio, não é um termo ofensivo, tampouco desrespeitoso. A única razão pela qual o juiz se considerava desrespeitado é que a síndica do prédio merecia a alcunha de "dona". Ora, ninguém é obrigado a se referir a outra pessoa de determinada maneira, os títulos são MERECIDOS ou CONQUISTADOS, não impostos. Desde que o porteiro não tenha xingado, humilhado ou ofendido o juiz, não tem porque virar réu.

Segundo: porteiro trabalha na portaria. Sua função é administrar a entrada do prédio, impedindo que desconhecidos entrem no local e guardando a segurança dos moradores. Ele NÃO tem obrigação de cuidar de vazamentos, nem de procurar empregados que o façam. Cabe ao morador, ou ao síndico (dependendo de onde parte o vazamento) tomar esse tipo de providência. A menos que o porteiro queira fazer um agrado (o que dificilmente faria, frente a um condômino tão arrogante), ele não tem obrigação de atender o juiz por aquele motivo.

Terceiro: o que você faria se algum vizinho te "advertisse verbalmente" sobre a maneira como você ou o funcionário do prédio deve tratá-lo? Eu, no mínimo, não o levaria a sério. Ou indicaria um bom livro de Lingüística para ele. Como eu já disse, repetindo as palavras do juiz Alexandre, os pronomes de tratamento coloquiais não são ofensivos e ninguém é obrigado a se referir a outra pessoa de tal ou tal forma.

De qualquer forma, é difícil definir "desrespeito". Qual o grau de respeito que o juiz direcionava ao seu subordinado? Até que ponto um porteiro sarcástico que não vai com a cara do juiz e se recusa a chamá-lo de doutor está sendo desrespeitoso? Caberia à Justiça definir, assim como coube a mim criticar uma postura que considerei altamente arrogante. Isso, pra não dizer cômica, já que seria bastante difícil de fiscalizar o cumprimento da sentença, no caso de Marreiros ter ganho o caso, e cobrar as multas e indenizações que ele pediu dos réus. Morar naquele prédio provavelmente se tornaria um verdadeiro inferno.

Aparecida e Paulo: muito obrigada!


*Paulo Roberto Alves*
paulinhoassec@gmail.com
Inserido em: 2007-09-06 18:46:23

Saudações.

Vocês são atualmente um dos poucos orgãos de imprensa que merecem credibilidade. A independência é fundamental. Junto com vocês coloco Carta Capital e Caros Amigos.
Sudações!


*Aparecida simoes*
apsimoes@uai.com.br
Inserido em: 2007-09-05 08:21:18


Oi, Cristina,
Moça cê escreve bonito demais! Parabéns à NOVAE. Deus conserve, né?

Quando eu crescer, igual a você quero ser.
Abracos
Aparecida


*Amalia Adriane*
amalia.adriane@HOTMAIL.COM
Inserido em: 2007-09-03 19:33:12

Cara Cristina, você se deu ao trabaho de ler toda a petição do Sr Antonio Marreiros? Ele não esta pedindo para ser chamado de Doutor ou Senhor pelo ego desmedido não, ele foi por diversas vezes destratado e num dia em que precisou de ajuda dos funcionários (que também são dele, por pagar o seu condomínio e por um erro na obra feita pelo mesmo condomínio) foi novamente destratado pelo funcionário da portaria, o mesmo que o Sr Antonio Marreiros já havia solicitado a Síndica que fosse advertido verbalmente, incorreu no mesmo tratamento desrespeitoso.
Acredito que você assim como se indgnou com o tratamento recebido no elevador, não gostaria de passar por constrangimentos casados pelos funcionários que lhe prestam serviço.

Boa noite.

Amalia Adriane


*roberto sims*
sims@vivax.com.br
Inserido em: 2007-08-20 19:34:02

O meu avô Ovidio foi o Comandante da implantação da vila de PORTO EPITACIO no estado de são paulo, tinha engenheiros, tecnicos e de muitos outros valorosos empregados, era tudo mato com indio. Mas com toda a honra que teve na conclusão do seu projeto, em momento algum da sua vida se vangloriou de ser o melhor, sempre teve a postura de humildade e de paciência para com os seus filhos e netos.Essa lição de vida deixada tento copiar ou melhor praticar.
Não guardo rancor das pessoas de que a vida "É TUDO POSSE", procuro compreender aonde eles vão chegar com esse estilo de vida.


 Publicado em: 2007-08-16 por cristina, última modificação em: 2007-08-16 por cristina

 

 

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