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Cerco policial não intimida o tráfico, mas pune comunidades
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No Rio, Estado encena soluções para um problema que não quer resolver

Por Latuff

Já se passaram 45 dias e nenhum resultado prático foi observado da ação policial nas comunidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, localizadas na Zona Norte do Rio. As operações começaram após a execução de dois policiais militares por traficantes que supostamente estariam escondidos naquela região. Sem prisões ou apreensões de armas ou drogas, o que se conseguiu até agora foi vitimar moradores, atingidos pelas chamadas "balas perdidas". Quem vive naquelas comunidades enfrenta uma rotina de pavor, tendo que sair de casa para o trabalho ou a escola sob a mira de armas potentes tanto da polícia quanto de traficantes. As principais entradas do Complexo do Alemão foram tomadas por PMs, e mais recentemente por membros da Força Nacional de Segurança, que apontam
fuzis para o interior das favelas e revistam moradores, incluindo até crianças em uniforme escolar.

Essa "expedição punitiva" parece ter como alvo a liderança do tráfico local, já que o efetivo policial não quer tomar o Complexo e sim impedir o comércio de drogas para forçar os traficantes a entregar os assassinos dos dois PMs. Assim a honra da corporação estaria lavada, o contingente policial poderia voltar aos batalhões e o tráfico voltar à sua atividade normal.

Situação semelhante verificou-se em 2006, quando assaltantes roubaram fuzis de um quartel do exército. O Morro da Providência, onde as armas estariam escondidas, foi cercado por pára-quedistas e, algum tempo depois, o exército "descobriu" o paradeiro dos fuzis (falava-se inclusive numa negociação informal com o tráfico), e a tropa deixou a favela. A polícia argumenta que desentocar traficantes do Complexo do Alemão ou da Vila Cruzeiro causaria um grande número de vítimas inocentes. Essa pretensa preocupação da PM não impediu, porém, que mais de 80 pessoas fossem baleadas, 21 delas fatalmente, em troca de tiros. E mesmo quando a polícia invadiu e ocupou favelas, isso não significou o fim do tráfico. Até porque, a presença de Postos de Policiamento Comunitários (PPCs) no interior das comunidades em nada inibiu a ação da bandidagem.

O que vemos no Rio de Janeiro é, mais uma vez, uma solene tentativa de se enxugar gelo. Já ficou provado que a resposta militar ao tráfico de drogas não tem sequer reduzido a atividade criminosa. O Estado do Rio aposta na política de confronto porque sabe que resolver o problema do tráfico passaria necessariamente pelo combate à corrupção. E daí seria necessário abrir um tampão de esgoto que ninguém quer mexer, até porque o crime e o estado andam de mãos dadas, se misturam, são parte do mesmo corpo. Um bom exemplo dessa promiscuidade foi a recente divulgação por parte da polícia federal de que constavam da folha de pagamento de banqueiros do jogo do bicho figuras como as ex-governadoras Rosinha Garotinho e Benedita da Silva e o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, além de deputados e policiais. O fato, que se ocorresse em Brasília causaria escândalo nacional, no Rio foi discretamente abafado. Por isso é bem mais fácil comprar blindados novos da África do Sul, para a PM subir os morros e trocar tiros com traficantes varejistas pés-de-chinelo, do que investigar a fundo quais os colarinhos brancos que fazem chegar tão facilmente fuzis, metralhadoras, granadas e drogas às mãos de bandidos.

Política de segurança? Que segurança? Certamente não é a segurança da população.

Latuff é cartunista

Fotos reportagem Latuff (clique nas imagens para ampliar)



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*Marcos Simões*
mss62@terra.com.br
Inserido em: 2007-07-02 18:59:24

Ninguém quer combater nada. Essas operações feitas pela PM do Rio são apenas uma satisfação aos países que irão competir no Pan (pan, pan, pan, pan). O estrangeiro, principalmente o americano, adora banho de sangue (inocente). Depois voltará tudo ao (a)normal. Se quisessem mesmo combater o tráfico de drogas e outros crimes, cercariam as mansões dos ricos e fomentadores do crime, mantendo-os nas cadeias e, o mais importante, confiscando tudo que é surrupiado, inclusive da imensa maioria dos políticos (um deles, por exemplo, teve a diplomação quase anulada, por conta das relações perigosas com o crime, mas prevaleceu o de sempre: impunidade e esquecimento).
No Brasil ainda, infelizmente, a resolução dos problemas está muito longe. A corrupção continua a todo vapor. A justiça inexiste. Um ou outro juiz abnegado ainda se vê por aí. A educação continua sem nenhuma qualidade. A saúde adoeceu há muito tempo. Os bancos cobram quanto querem e os serviços que quiserem do cidadão. As ANAS sangram os bolsos do brasileiro. Os legislativos (federal, estadual e municipal) estão dominados (no congresso nacional vários são os parlamentares com processos de improbidade adminsitrativa nos referidos estados). A imprensa poderia ser o divisor de águas, mas está nas mãos de um punhado de oligarcas ou da politicagem rasteira encastelada nos poderes.
As operações das polícias estaduais servem para prender (de verdade) a matar os PPVs da vida. Muito diferente das realizadas pela PF, cujos presos (de mentirinha) são os criminosos do colarinho "de" branco. Mais de 6 mil foram detidos, mas foram soltos rapidamente. Não devolveram um níquel dos atos criminosos praticados. Não vão a julgamento nem devolverão o dinheiro público desviado/roubado, prática rotineira nos meandros dos poderosos.
O que nos resta, então?

 Publicado em: 2007-06-20 por admin, última modificação em: 2007-06-20 por admin

 

 

     

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