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A Guerra do Petróleo
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Cristina Castro, do Tamos com raiva

O Tamos com Raiva foi criado no dia 20 de março de 2003, quando as primeiras bombas da invasão norte-americana no Iraque começaram a pipocar. Nossa raiva, naquele momento, era dessa guerra que -- já prevíamos -- mataria muito mais civis iraquianos que soldados dos Estados Unidos e aliados. E a indignação ficava maior quando nos deparávamos com o motivo da guerra: a multinacionalização dos riquíssimos poços de petróleo do Iraque, segundo maior produtor no mundo, perdendo apenas da Arábia Saudita. Bem, pelo menos era nisso que apostávamos, enquanto George W. Bush e seus comparsas insistiam em dizer que estavam defendendo os iraquianos de um ditador cruel e protegendo os americanos de terroristas sanguinários.

Agora sabemos que a teoria do petróleo está confirmada. Depois de uma guerra desigual, que arrasou vários civis, e depois do enforcamento recente de Saddam Hussein, o governo iraquiano -- formado por uma delegação de estrangeiros e militares chefiada pelos EUA -- prepara uma lei que vai trazer lucros imbatíveis às companhias de petróleo ocidentais -- Shell, Exxon e British Petroleum, principalmente. Essas empresas vão poder assinar contratos de 30 anos para explorar petróleo iraquiano, embolsando lucros de 75% (!!), no começo, que, mais tarde, passariam para 20% (valor ainda muito superior que a média). Depois que Saddam Hussein nacionalizou os poços iraquianos, em 1972, esta será a primeira vez que as multinacionais americanas e inglesas poderão explorar e lucrar naquele paraíso energético.

Para chegar a isso, precisaram manchar as mãos com muito sangue árabe. Segundo o Iraq Body Count, organização que vem contando, desde janeiro de 2003, o número de civis iraquianos mortos (dados que eles retiram de várias fontes confiáveis, uma vez que o governo norte-americano não tem interesse em divulgar dados oficiais), o número de corpos pode ter ultrapassado os 59 mil (número subestimado pela própria organização). Além disso, mais de 6 mil militares iraquianos devem ter morrido na "guerra". Enquanto isso, a GlobalSecurity estima que mais de 3 mil soldados norte-americanos morreram e 22.400 ficaram feridos. A discrepância pode ser ainda maior: estudos paralelos acreditam que cerca de 650 mil civis iraquianos tenham morrido nesses últimos quatro anos. Releiam o negrito.

Tudo pelos 30 anos de exploração, com 75% do lucro nas mãos dos invasores. "Valeu a pena", dirá George Bush.

O Tamos com Raiva também não se esquece das aulas de História. Elas mostraram que o país mais rico do mundo já matou mais de 1 milhão de vietnamitas e 58.193 soldados americanos na guerra de 1964 a 1975. Também matou cerca de 200 mil iraquianos em 1991, na Guerra do Golfo. Matou 1,2 milhão de afegãos e 15 mil soviéticos na Guerra do Afeganistão (não na última, mas naquela que assolou o país entre 1978 e 1992). E não esquecemos das vinte e três invasões que os Estados Unidos fizeram, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em países da Ásia (China, Coréia, Indonésia, Laos, Vietnã, Camboja, Iraque, Afeganistão...), África (Sudão, Congo...), Europa (Iugoslávia) e América (Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Panamá, Peru, Cuba...). Foram bilhões de dólares gastos na indústria da guerra, contabilizando milhões de civis e soldados mortos e um resultado rentável para o governo norte-americano (senão eles não repetiriam as invasões com tanta freqüência, certo?).

Aliás, mais um país da América do Sul deve abrir os olhos: a Venezuela. Na mesma época em que os iraquianos preparam contratos bilionários para as multinacionais do petróleo, Hugo Chávez anuncia, de surpresa, a nacionalização da principal companhia de telecomunicações do país e da maior fornecedora de energia elétrica, ambas controladas pelos Estados Unidos. Também vai estatizar alguns dos principais projetos de exploração de petróleo e vai acabar com a autonomia do Banco Central da Venezuela. O resultado nós veremos nos próximos capítulos, mas podemos arriscar algumas previsões, com base na História: Hugo Chávez será deposto, ou assassinado (torcendo pela solução mais rápida e indolor), ou, na pior das hipóteses, veremos uma nova invasão dos americanos do norte, desta vez causando a morte dos nossos vizinhos do sul.

    

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*Cristina Castro*
tamoscomraiva@hotmail.com
Inserido em: 2007-01-27 14:15:05

Caro Chico Villela,
eu é que estou muito grata pelo seu comentário. Enriqueceu enormemente todas as informações sobre a "guerra" do Iraque que consegui colher nas minhas pesquisas.
Se permitir, quero colocar seu comentário no Tamos Com Raiva.
Abraço!


*Chico Villela*
chicovillela@terra.com.br
Inserido em: 2007-01-23 11:20:44

Cara Cristina, eu vivo com raiva, e bem antes de 2003. Os cálculos de mortos são hipersubestimados. Basta ver que entre 1991 (Guerra do Golfo) e 2003 o Iraque foi sujeito a um bloqueio econômico e a bombardeios nunca interrompidos. Em 2003, Saddam já estava só de cuecas, nem uniforme tinha mais. Pois é, nesse período, moreram mais de 1 milhão de crianças; não sei quantos adultos.
Já em 1991 foram usadas armas com DU, depleted uranium, o urânio empobrecido, radiativo, quer se incorpora a solos, águas, vegetais e se aloja em órgãos e nervos de seres viventes ambulantes, de cabras a homens. Revelações de 1998 já informavam que o número de mortos por câncer no Iraque havia sido multiplicado por 12, e hoje a situação é muito, mas muito pior.
O que mais me enraivece e impressiona é que já morreram uns 11 mil soldados gringos de contaminação por DU, e há uns 350 mil ( é isso mesmo, Cristina, 350 mil) em licença médica nos EUA pela mesma causa. MIlhares de filhos desses infelizes são deformados, sem braços, olhos enormes fora das órbitas, cabeças descomunais, algo que a imaginação não supera. Quem tem estômago que chame children depleted uranium no Google Imagens e veja por si.
Leuren Moret, geocientista especializada em radiação e similares, afirma com todas as letras: os territórios do Afeganistão e Iraque em breve serão inabitáveis. Não deve ser fácil realojar dezenas de milhões de pessoas...
E ainda há outra fonte de raiva: o sistema do dólar. Nixon abandonou o padrão ouro do FMI em 1971 porque não tinha mais ouro, a guerra do Vietnã havia consumido as reservas. A partir daí, passou a vigorar o papel pintado. Fiunciona assim: o dólar é a moeda de troca internacional. Todos compram dólares e papéis do Tesouro, entregando suas poupanças aos EUA. Mas os EUA não têm como pagar todos os papéis, se houver exigência mundial. E aí reside a perversidade do sistema do dólar: se todos exigirem, tudo desaba. A China, por exemplo, é a maior credora dos gringos. Curioso, né? A inimiga número 1, comunista, tem os EUA na palma da mão. Mas isso tem a ver com o Iraque: Saddam largou mãoa do sistema do dólar e entesourou euros. Seu petróleo passou a ser comercializado em euros, tanto quanto o atual petróleo iraniano. E isso foi intolerável porque ameaçou o sistema do dólar. Esta foi a principal razão do ataque: era preciso garantir o petróleo e a presença no pólo petrolífero mundial.
Se para isso é necessário que morram açguns milhões... ora, Cristina, eles vivfem da morte, né? Grande abraço, e grato pelo seu texto.
 Publicado em: 2007-01-17 por admin, última modificação em: 2007-01-17 por admin

 

 

     

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