Aflição da Vila Itororó vira documentário
Por Patrícia Moraes
A Vila Itororó é um espaço de 4.500 m2. onde atualmente residem cerca de 250 pessoas. Essas famílias (74 segundo pesquisa da Vida Associada) estão vivendo a aflição do iminente despejo promovido pela prefeitura de São Paulo, a fim de instalar no local (quadrilátero formado pelas ruas Pedroso, Martiniano de Carvalho, Monsenhor Passalaqua e Maestro Cardim) o Pólo Cultural e Gastronômico de São Paulo.
Ao acompanhar o durante nove meses os moradores da Vila Itororó, os jornalistas Aline Fernandes, Daniel Betting e Patrícia Moraes escreveram, roterizaram e editaram o documentário Vila Itororó – Histórias de Integração e Posse. Trata-se de um vídeo narrado pelos próprios personagens da história do local, o poder público, arquitetos, jornalistas e moradores.
O vídeo-documentário é produto do Trabalho de Conclusão de Curso de Comunicação Social da Universidade Paulista (campus Cidade Universitária), com habilitação em Jornalismo, sob a coordenação do Jornalista Sérgio Braga, e orientação dos jornalistas Valter Puga Junior e Ulisses Rocha.
História
Representando o apogeu do bairro paulista do Bixiga (ou Bela Vista), a Vila Itororó possui 37 casas menores ao redor de um palacete de quatro andares, construído em 1922 pelo imigrante português Francisco de Castro, que planejou e edificou sua vila com materiais de demolição. Estátuas, mascarões e colunas, muitos provenientes do teatro São José – demolido no início do século XX – estão ruindo e, embora o imóvel seja tombado como patrimônio histórico há 13 anos, correm o risco de desabar.
Em 1970, o arquiteto Décio Tozzi planejou um projeto de “revitalização” da área, que fica sobre a nascente do riacho Itororó que forma um vale com o mesmo nome. Em tal projeto verifica-se a instalação de lanchonetes, teatro, hospedaria para artistas e outros equipamentos de cultura e lazer.
Em janeiro deste ano, o então prefeito da capital paulista, José Serra (eleito governador do Estado de São Paulo) decretou a área espaço de utilidade pública para a concretização do projeto de Tozzi.
Atualmente, após dez meses do decreto, os moradores se vêm sem informações sobre o futuro da área e consequentemente de suas vidas. O poder público, na ocasião do decreto, ofereceu cartas de crédito de R$20 mil a R$40 mil para cada morador e R$5 mil (apelidado de “vale-coxinha”). O financiamento é pequeno já que a maioria dos moradores da Vila Itororó desejam continuar morando na região central da cidade, além do problema de poucos possuírem os pré-requisitos para adquirir o tal financiamento (ter renda superior a três salários mínimos).
Apesar de serem inquilinos da vila e possuírem contratos de aluguel com a Fundação Augusto de Oliveira Camargo – FAOC (atual proprietária do imóvel, adquirido em leilão após a falência de Francisco de Castro), os moradores caracterizam-se, legalmente (segundo artigo 191 da Constituição Federal), proprietários de seus imóveis de acordo com a Lei de Usocapião Urbano, ou seja, estão a mais de cinco anos vivendo em um local que não foi reintegrado ao seu proprietário oficial, a FAOC, que deixou de cobrar aluguel e “abandonou” a Vila Itororó desde 1997.
Para o proprietário oficial as condições da FAOC não são suficientes para gerir um imóvel tombado como patrimônio histórico, já que seria necessário contratar “restauradores e gente especializada para promover as reformas necessárias”.
Sem as condições exigidas de habitabilidade, a FAOC se viu diante de um dilema: “como cobrar aluguel de um lugar caindo aos pedaços”?
Os moradores, por sua vez, sem alternativa, continuaram na Vila Itororó. Muitos há 60 anos, como é o caso de D. Tercina, 97. “Não quero sair. Deus queira que isso não aconteça”, disse a enfermeira aposentada do Hospital das Clínicas, moradora da Vila Itororó, na ocasião de seu aniversário. “Quero comprar um sofá novo e reformar minha casa”, conclui.
Para ver um ensaio visual com imagens da Vila Itororó, clique aqui ( http://www.arscientia.com.br/galeria/ver_galeria.php?id_galeria=21 ).
Do Arscientia
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*antonia* antoniacandido@hotmail.com Inserido em: 2006-11-07 17:21:24
UM BELO TRABALHO FEITO POR PESSOAS RESPONSAVEIS, Ñ POSSO AQUI AVALIAR O CONTEUDO JORNALISTICO POR Ñ TER GABARITO PARA ISSO.CONTUDO POSSO OPINAR COMO COMO MORADORA DO LOCAL CITADO.POSSO DIZER QUE FALTOU APENAS ALGUMAS IDEIAS DE COMO PODEMOS MUDAR A SITUAÇÃO.MAIS ISSO É ASSUNTO PARA UM OUTRO DOCUMENTARIO........
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