http://www.novae.inf.br/site/images/top1.jpg


http://www.novae.inf.br/site/images/menu.jpg
Ditadura da grande mídia abalada
| Share

Credibilidade em sépia -  duas revistonas tentando fazer a o tucano voar.

Mídia é condenada nas urnas: e agora?

Altamiro Borges

Na festa da vitória, na noite de domingo, uma faixa enorme, que tomou toda a pista da Avenida Paulista, chamou a atenção dos animados militantes que comemoravam a consagradora reeleição de Lula. “O povo venceu a mídia”. Ela expressou bem o sentimento de milhões de brasileiros diante da deprimente e abjeta cobertura da imprensa nesta batalha política. Alguns ativistas ainda aproveitaram para gritar “o povo não é bobo, fora Rede Globo”, relembrando o coro que ficou famoso durante a campanha das “diretas-já”. No palanque, um dos oradores aproveitou para desabafar: “Quero mandar um recado para revista Veja: vocês perderam as eleições”. Em pequenas rodinhas, outros cantarolavam: “Ou, ou, ou, a Veja se ferrou”.

De fato, entre outros derrotados no segundo turno, a mídia hegemônica foi uma das mais chamuscadas e ficou bastante desacreditada e desmoralizada. Com raras exceções, jornalões, revistas, rádios e emissoras de televisão tomaram partido na eleição. De maneira escandalosa, como a revista Veja e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, ou de maneira mais ardilosa, como a TV Globo, o grosso dos veículos de comunicação ocupou seus espaços para linchar o governo Lula e para apresentar de forma positiva ou “neutra” o candidato da oposição neoliberal, Geraldo Alckmin. Na prática, portaram-se como partidos da direita, procurando “pautar a política” e interferir descaradamente no resultado da sucessão presidencial.

Um autêntico “golpe midiático”

O grau de manipulação foi tão brutal que o veterano Marcos Coimbra, dono do instituto de pesquisas Vox Populi, chegou a afirmar que a mídia forçou a realização do segundo turno. A maneira parcial como ela, em especial a TV Globo, divulgou as fotos do dinheiro apreendido na desastrosa tentativa de compra do dossiê da máfia das sanguessugas, foi decisivo para adiar a reeleição de Lula. “Os eleitores foram votar no dia 1º sob um bombardeio que nunca tínhamos visto nem mesmo em 1989... Em nossa experiência eleitoral, não tinha visto nada parecido em matéria de interferência”. Felizmente, a corajosa e irrefutável reportagem de Raimundo Pereira, na revista Carta Capital, serviu para desnudar toda a trama da mídia.

Esse verdadeiro “golpe midiático” foi o desfecho do grotesco processo de deturpação que começou bem antes, com a amplificação dos fatos negativos para satanizar o governo Lula. Segundo Venício de Lima, autor do indispensável livro “Mídia, crise política e poder no Brasil”, “antes mesmo da revelação pública das cenas de corrupção nos correios, em maio de 2005, o ‘enquadramento’ da cobertura que a mídia fez, tanto do governo Lula como do PT e de seus membros, expressava uma ‘presunção de culpa’ que, ao longo dos meses seguintes, foi se consolidando por meio de uma narrativa própria e pela omissão e/ou pela saliência de fatos importantes”. Foi uma montagem típica do clássico “escândalo político midiático”.

Tucanos enrustidos na imprensa

A criminosa manipulação foi comprovada pelas estatísticas do Observatório Brasileiro de Mídia, que fez um rigoroso monitoramento da cobertura nos principais órgãos de imprensa. Durante toda a campanha eleitoral, o presidente Lula teve quase o triplo de menções negativas do seu adversário. Isto sem falar nas manchetes e na edição de fotos e legendas, sempre desfavoráveis ao candidato da coligação “A força do povo”. O Observatório também acompanhou as análises dos mais famosos colunistas da mídia, revelando que eles nada têm de imparciais. Merval Pereira e Mirian Leitão, ambos da Globo, foram os recordistas em ataques ao presidente e isentaram quase totalmente o candidato da direita, tirando seu disfarce tucano.

Tamanha deturpação até gerou certo mal-estar nas redações de alguns destes veículos. Raimundo Pereira revela que só teve como desmascarar a farsa da mídia graças a ajuda de jornalistas indignados com o tipo de cobertura. Em várias redações, o clima nestes dias foi de perseguição, com a imposição de pautas e a proibição de qualquer análise isenta. Na revista Veja, batizada internamente de “fabrica das maldades”, o espaço para o jornalismo crítico e investigativo foi totalmente suprimido – uma autêntica ditadura. Já a poderosa TV Globo arquivou reportagens sobre o envolvimento de tucanos na máfia das sanguessugas e, através do déspota Ali Kamel, o Ratzinger da Globo, manipulou deliberadamente a cobertura na reta final.

Enfrentar a ditadura midiática

Mas, infelizmente, poucos jornalistas de prestígio se rebelaram contra este atentado à ética jornalística e à democracia. Preferiram o silêncio dos cúmplices, dando um péssimo exemplo às novas gerações. Entre as raras exceções, vale realçar a postura corajosa de Luis Nassif, que escreveu em seu blog o texto intitulado “Réquiem do jornalismo”, ou a justa indignação de Paulo Henrique Amorim, que publicou em seu site Conversa Afiada um artigo condenando “o golpe do Estado que levou a eleição para o segundo turno”. Na assimétrica guerra da informação, alguns sites e blogs na internet tiveram papel decisivo na luta contra-hegemônica e se projetaram como eficientes instrumentos alternativos de comunicação na atualidade.

Apesar de tudo, “o povo venceu a mídia”. Agora é retirar as conseqüências desta experiência traumática. Não dá para construir uma democracia sólida, com protagonismo popular, ou para avançar na superação da barbárie capitalista com a manutenção da ditadura midiática. Não dá mais para se iludir com o poder de sedução dos poderosos veículos de comunicação. Eles hoje fazem parte do poder dominante, tornaram-se o principal partido da elite burguesa, reproduzem a ideologia desta classe e impõem a sua hegemonia. A mídia brasileira hoje é controlada por nove famílias, é totalmente monopolizada e internacionalizada. Para avançar é preciso superar a ditadura midiática; é urgente democratizar os meios de comunicação.

“Males que vêem para o bem”

Mas, como diz o ditado, há males que vêem para o bem. A grotesca manipulação da mídia nestas eleições pode cumprir o papel positivo de abalar as ilusões. “Derrotar o Alckmin é bom, mas vencer toda a mídia é melhor ainda”, desabafou o presidente Lula em pleno vôo para o Nordeste ainda no primeiro turno. Já no trajeto para João Pessoa (PB), quase na madrugada, voltou a manifestar sua indignação. “Quero ver como os tais formadores de opinião da mídia vão explicar a rejeição aos seus ataques”. Já no comício de Feira de Santana (BA), afirmou “Eles podem ter estudado muito, mas não entende a alma do povo brasileiro”.

Há quem garanta que o presidente reeleito está decidido a tomar medidas para democratizar os meios de comunicação. Ele até já teria solicitado a sua assessoria estudos jurídicos sobre as formas para construir uma rede pública de comunicação. Nas primeiras entrevistas após a vitória, Lula reafirmou as críticas à manipulação da mídia feitas em vários comícios. Emblematicamente, não repetiu o gesto de privilegiar a TV Globo na primeira entrevista como presidente reeleito. Também se mostrou mais direto nas respostas, evidenciando certa reticência à bajulação inicial da mídia, que depois se transforma em linchamento.

Aumentar a pressão pela democratização

Mas não dá para ficar parado diante de um assunto tão sério. É conhecido o poder de pressão e de sedução da mídia hegemônica. Ela inclusive já pressentiu o risco e partiu para o contra-ataque. Tenta se passar por vítima de perseguição e retoma velhas bravatas sobre a “liberdade de imprensa”, que na verdade significa a “liberdade das empresas” monopolistas de manipularem a opinião pública. A mídia não aceita qualquer tipo de controle público – e não estatal; do Estado ela só quer os milionários anúncios publicitários e, no caso das rádios e televisões, a concessão das linhas de transmissão. Revelando todo seu autoritarismo, ela também não aceita qualquer medida que vise democratizar e multiplicar os meios de informação e cultura.

Os movimentos sociais e os setores democráticos da sociedade, incluindo os jornalistas que têm dignidade e prezam a ética jornalística, precisam rapidamente se posicionar sobre este assunto estratégico. É preciso aproveitar que o tema está em alta, no quente. Além de reforçar o diagnóstico sobre as manipulações, urge avançar na elaboração de propostas concretas para a democratização deste setor nevrálgico. Os vários fóruns e instâncias já existentes sobre o tema precisam ser ampliados, reforçados e dinamizados, evitando qualquer postura sectária de gueto. Amplitude e unidade serão decisivas nesta batalha de titãs.

A proposta da “rede pública de comunicação”, com estrutura correspondente ao alto grau de qualidade do setor e o controle democrático da sociedade, deve ser amplamente discutida. É o momento também para se exigir o incentivo às rádios e TVs comunitários e para se rediscutir o uso das verbas publicitárias do estado. Agora é a hora! Não dá para novamente ficar acuado diante da chantagem e da pressão da mídia hegemônica. “O povo venceu a mídia” nas urnas; agora é tirar as conseqüências.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição). 
    

            


*milena*
milenatimberlik@hotmail.com
Inserido em: 2009-10-20 16:27:45

De Qe Forma Pode Ser Obsirva a midia ?


*Jussara Seixas*
seixas50@uol.com.br
Inserido em: 2006-11-22 07:06:05

NÃO VALEM O QUE COBRAM

A mídia está devendo porque não entregou a derrota do presidente Lula, que foi encomendada e paga. Os jornalistas se empenharam, mas faltou-lhes competência. Os anunciantes precisam rever o custo da mídia, pois ficou provado que os grandes títulos e sobrenomes dos meios de comunicação não valem o que cobram. Afinal, foi claramente demonstrado que não formam opinião e não têm credibilidade. Não conseguiram vender seu peixe podre. O presidente Lula, após 4 anos de massacre diário pela mídia escrita, radiofônica e televisiva, teve uma votação histórica. E o governo Lula teve uma avaliação de ótimo e bom de mais 53% da população pouco antes das eleições. Os anunciantes precisam pechinchar os valores cobrados pela mídia. Os acionistas devem exigir a redução desses valores pelo menos à metade. Os políticos, empresários e famosos não devem mais sujeitar-se às chantagens da mídia, pois ela se mostrou um poder pífio. É preciso também rever os empregos e salários ou pro-labores dos jornalistas que se empenharam nessa empreitada e que se achavam formadores de opinião. Eles devem ser demitidos ou ter seus salários diminuidos, pois provaram que são incompetentes. É grande a lista dos que receberam um bom dinheiro pela empreitada sem fazer jus a ele: Eliane Cantanhede, Fernando Rodrigues, Josias de Souza, Ricardo Noblat, Merval Pereira, Miriam Leitão, Alexandre Garcia, Jô Soares, William Bonner, Fátima Bernardes, Arnaldo Jabor, Dora Kramer, Renata Lo Prete, Lucia Hypolito, Diogo Mainardi, Clóvis Rossi e outros tantos, menos conhecidos. Mostraram que são incompetentes, que não merecem seus salários nem os postos de chefia que ocupam. Os anunciantes devem seguir o exemplo da Sul América Seguros, que sabiamente retirou o patrocínio de um pocast reacionário na Veja. Não compensa patrocinar esses incompetentes. Após 4 anos de campanha intensa eles não conseguiram vender para o povo a falsa imagem ruim que criaram do presidente Lula e do governo Lula, encomendada pela elite aos donos dos maiores jornais, revistas, rádios e canais de TV -- Frias, Mesquista, Marinho, Civita et caterva. Os interesses de quem encomendou são tão escusos que ainda se mantêm ocultos. Eles não entregaram o que foi encomendado e pago, não cumpriram o que prometeram. Não valem o preço que cobram, estão enganando seus anunciantes e patrocinadores, como tentaram enganar o povo.

Jussara Seixas





*Júlio César Montenegro*
julio@cerbras.com.br
Inserido em: 2006-11-17 12:53:12

Eliane Cantanhede numa troca de e-mails:

Sra. Eliane Cantanhede (Rampazzo?!)
Embora tenha um amigo aí, não leio sua folha. No blog do Eduardo Guimarães vi sua queixa contra os que lhe agridem pela internet. Onde aproveita para ironizar o Lula com pose de estadista "e não sei mais o quê". Primeiro fiquei surpreso quando soube que uma jornalista tão condescendente com o PSDB e crítica tão "imparcial do PT" fosse casada com Gilnei Rampazzo, marqueteiro de qual partido?!
Fui jornalista do Opinião no tempo da ditadura. Tinhamos que ser extremamente criativos para passar nossos textos pela censura. Foi esse treinamento que me permitiu há muito tempo detectar a parcialidade gritante da veja.
Da folha já sabia da colaboração com a oban. Depois, vans incendiadas e tal, quiseram tirar a suja. Estadão e globo sempre foram paladinos da classe dominante mais.... dominante? Entreguista?
Vocês devem viver num mundinho muito Jobi pra estarem trocando tanto as bolas. Lula e o PT não estão fazendo a cabeça de seus eleitores com bolsas nem malotes. É uma mudança profunda que vem acontecendo desde ANTES da ditadura. Aliás promulgada pela elite justamente para, no exagero apocalíptico/jaboriano típico dela, "livrar o Brasil do comunismo ateu".
Quer dizer de reformas como a do latifúndio e outros "direitos" que ela prefere continuar desfrutando entrincheirada em seus condominios com cercas eletrificadas, seguranças armados, carros blindados e, last but not least, jornalistas domesticados.
Essa tranformação da nossa "raça" (apud Herr Bonhausen) foi que levou Lula ao governo na terceira tentativa contra os vários anti-Lula criados desde o "caçador de marajás" da capa da veja, os sequestradores do Diniz com camisas do PT, o debate editado pela globo... E que o reelegeu nessa vitória tão grande que ainda está atravessada em goelas, em outras deglutições, tão complacentes e profundas.
Lembra da filha do Lula exposta em praça pública? Por que a "imprensa livre" nunca falou do filho do FHC com a jornalista que a globo mandou pra... Barcelona? Nem tente falar em privacidade, viu? É a mesma que protege seu marqueteiro, né?
Cada um tira da história o que reforça seus confortos... ou pontos de vista. Na atual situação que lhe desagrada, prefiro lembrar Daniel Cohn-Bendit (que a elite gaullista, sempre apelando ao racismo quando convém, chamou de "juif alemand" e que os estudantes solidários respondiam "nous sommes tous de juifs alemands") e o inesquecível maio de 68: "Ce n'est q'un debut, continuons le combat".
Em linguagem jornalistica nossa, é uma suite de O POVO NÃO É BOBO, ABAIXO A REDE GLOBO. Vamos pra frente porque atrás vem gente. Muito mais. Espero. Júlio

Júlio,
Não é exclusividade sua ter escrito para o Opinião. Eu também enviei vários artigos, pois cobri movimento estudantil. E o meu marido chegou a pegar uns dias de cana em 1968.
O que não dá é para jornalista não escrever, criticar e condenar todas essas coisas que a gente viu e você também viu: milhões para comprar os partidos, a turma de Ribeirão Preto, o Waldomiro filmado pegando propina de bicheiro, o Silvinho levando Land Rover...
Quem mostrou a filha do Lula não foi a imprensa, foi o Collor _que, aliás, caiu por causa de uma Fiat Elba e de uma cascatinha na casa da Dinda, numa aliança (complô?) entre petistas e jornalistas, inclusive eu. Hoje, é até ridículo comparar os escândalos.
Quanto ao meu casamento: meu marido não é marqueteiro do PSDB. Ele é sócio de uma afiliada em Brasília que já trabalhou com vários partidos, inclusive com o PT _antes do PT chegar ao poder.
Lamento que você, que se arroga ser de esquerda, ache que eu não tenho o direito de ter uma profissão, de ser independente, de ter minhas próprias opiniões. E quando eu marretava o governo FHC? Aí, era bacana e ninguém lembrava do meu marido. Sinto muito, mas acho isso reacionário. Como não têm o que dizer de mim, me "acusam" de ser casada com o meu marido. Reflita, por favor.
Eliane

Eliane,
Muitissimo obrigado pela resposta que eu não esperava. Mas podia ter se preocupado mais em ler direito o que escrevi. Não teria falado essa bobagem de "exclusividade" no Opinião (VOCÊ, FHC também, Aguinaldo Silva, Tonico, Antonio Callado, sob editoria de Raimundo Rodrigues Pereira, a quem respeito pela integridade até hoje) se prestasse atenção no principal da frase, na criatividade de quem precisava ler, e escrever, nas entrelinhas.
Aliás, por ter saído da imprensa, não me procupam mais as tais "exclusivas", cada vez mais raras nestes tempos de marqueteiros e press releases.
Você se preocupou tanto em se defender que acabou levando o Collor junto. Bom proveito.
Agora essa de seu marido ter trabalhado pro PT "antes do PT chegar ao poder", para quem lê nas entrelinhas... Dá pra imaginar?! Júlio
P.S. Não precisa responder. Vou entender. Uma andorinha só... principalmente depois dum tsuname de mais de 58 milhões de votos... mesmo sem o marquetim do maridão...



*maria goretti*
mgamf@hotmail.com
Inserido em: 2006-11-11 00:26:51

REDE PÚBLICA DE COMUNICAÇÃO.URGENTE.! !! INCENTIVO ÀS RÁDIOS E TVS COMUNITÁRIAS.POPULARIZAÇÃO DA INTERNETE.SERÃO O CONTRAPONTO,À MIDIA ELITISTA. VAMOS CONSTRUIR JUNTOS A DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA, INFORMAR,FORMAR,INSTRUIR=EDUCAR..ISSO É CIDADANIA.


*lis*
lis@ibest.com.br
Inserido em: 2006-11-06 10:21:44

Rede pública de comunicação JÁ !!!! Queremos, e podemos. Passem a bola para o povo que nós resolvemos !!!! REFERENDO JÁ SOBRE A MIDIA.

Você concorda com a criação de uma rede pública de comunicação no pais???
SIM ou NÃO


*Diogo Abreu Rangel*
pedeasaideira@hotmail.com
Inserido em: 2006-11-06 09:53:47

Sobre o tema apresentado pela Meire Ramos, gostaria de fazer um registro. indignei-me com o Alberto Dines e como Observatório do dia 31! Abaixo o meu comentário direcionado aos organizadores do O.I:
Prezado Dines,

Já acompanho o Observatório há um tempo, no entanto é a primeira vez que me manifesto. Assisti ao programa de ontem e gostaria de fazer alguns comentários:

1) Por que não foi convidado um representante da opinião contrária, tão necessária para qualquer debate? Convidar apenas jornalista de veículos sobre os quais recaem as duras críticas é no mínimo pouco democrático, para ficar na elegância;

2) Muito pertinente a análise dos convidados de que o Governo deve ser cobrado e criticado. Aliás, a crítica existe na vida do ser humano em qualquer área de atuação: seja nas artes, no trabalho, na família, na igreja, no esporte, nas intuições democráticas, nas agências controladoras, nas Organizações Não-Governamentais, nas Comunidades Eclesiásticas de Base, nos meios de comunicação..... SIM! Nos meios de comunicação também! A imprensa deve cobrar, criticar tudo que nos cerca e deve ser cobrada também! É um exercício de civilidade. Cabe a quem recebe a crítica sabe lidar com ela. Recebê-la de forma aberta, agradecer, refletir, debater e evoluir. Desculpe-me, mas não percebi isso no Observatório da Imprensa ontem. O que pareceu é: “podemos criticar, mas não podemos ser criticados”. Quanto à disposição do Governo para receber críticas honestas, minha avaliação fica prejudicada em face do comportamento "pouco honesto" da mídia. Vale um bom debate.

3) Os petistas que agrediram os repórteres, e “agridem em toda oportunidade”, são completamente bárbaros, insanos, selvagens e não tem nenhum motivo para tal atitude? Registre-se que são intoleráveis atos de violência, mas devem ser analisados dentro de um contexto e devidamente refletidos. E não se pode mais negar: não são só petistas que criticam a parcialidade da mídia.

4) Acompanhei muito atentamente a mídia na cobertura das eleições e não percebi uma "clara" imparcialidade, como sugeriu o debate do OI. O que percebi foi exatamente o contrário: evidente parcialidade. Uma coisa é buscar informações outra é criar; outra é omitir; outra é abordar de maneira distinta fatos semelhantes e às vezes referentes ao mesmo fato; outra é utilizar técnicas de mensagem subliminar... Alto lá! Isso é desinformar! Poderia citar vários exemplos, mas sei que você sabe.

5) Auto-análise não se impõe, mas creio que é a razão de existir do Observatório da Imprensa. No caso do OI exige-se sim e não há mal nenhum nisso, a não ser que exista realmente uma má vontade pérfida. Aliás, como dito, auto-análise é fundamental para nosso crescimento e deve ser feito sempre. Assim, é compreensível que parte da sociedade espere que a imprensa assim o faça.

Existe farto material para um rico debate. Terça-feira, dia 31/10 foi decepcionante.
Diogo Rangel




*Aljucir Zanatta*
aljucirzanatta@yahoo.com.br
Inserido em: 2006-11-05 23:00:58

Causa-me asco o simples ato de ver uma capa dessas revistas ou mesmo o jornalismo televisivo da grande mídia, bem como os jornais que compõe esses conglomerados. Meus filhos saberão com detalhes da forma como esses meios de comunicação tratam a grande maioria do povo brasileiro, ou seja, como idiotas. Meus amigos e colegas, de forma incansável, de forma oportuna, no correr dos dias, sabem e tomarão conhecimento de que, NOVAE, CONSCIENCIA.NET, AGENCIACARTAMAIOR, e tantos outros sites desta ainda pluralista internet podem dar o contraponto de um outro olhar sobre os fatos.
O SISTEMA SEMPRE ATUAL DO BOCA-A-BOCA SEMPRE TEM GANHADO TERRENO.


*Ubiratan Rosa Passos*
ubyratan@terra.com.br
Inserido em: 2006-11-05 15:46:54

A pobrezinha da Eliane Catanhêde está se sentindo muuuuuito ofendida com as acusações que estão sendo feitas à nossa imprensa "imparcial". Coitadinha, tenham dó dela e da nossa imprensa, tão boazinha! Afinal, eles foram tão gentis com o Lula, e tão duros com o Alckmin!
Acusaram o Alckmin de usar verba da Nossa Caixa ilegalmente, de abafar 69 CPIs, denunciaram a D. Lu (sobre os vestidinhos), revelaram a verdadeira origem do valerioduto, denunciaram o caixa dois de FHC, ""desvendaram" o conteúdo do dossiê (aliás, "provaram" que é falso!), estamparam a gravação de FHC tentando influenciar no caso da privatização das teles,etc, etc...
Por favor, eles merecem a nossa (des)confiança, não acham?


*Meire Ramos*
kkoringaa@hotmail.com
Inserido em: 2006-11-04 17:45:57

O pseudo defensor da midia imparcial , senhor Alberto Dines está nos presentiando com manifestações de vitimismo barato dos jornalões...
olhem isso! e comentem sobre isso, é terrivel!

Mãos limpas e cabeça no lugar

Por Alberto Dines em 4/11/2006

Publicado originalmente no Último Segundo, em 3/11/2006
Ao afirmar que o Brasil precisa de uma "Operação Mãos Limpas", o presidente reeleito reconhece que há muita gente com as mãos sujas. Ao declarar guerra à corrupção e à impunidade, Lula valida a certeza de que ambas existem. Ao admitir um "golpe duríssimo" com o envolvimento de petistas nos escândalos, e ao reconhecer que a reforma política não resolverá tudo, o chefe da nação confirma que a bandalheira localiza-se exatamente nesta esfera.

Entre outros méritos, a entrevista do presidente a três importantes jornais europeus oferece um certificado à imprensa brasileira e não apenas pelo conjunto de admissões, mas, principalmente, porque se absteve de repetir a cantilena acusatória dos palanques contra o "golpismo" da mídia.

O ministro e presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, pode ter razão quando reclama da mídia a utilização do termo "mensalão" (introduzido, ao que consta, pelo ex-aliado do governo, Roberto Jefferson). Os pagamentos aos deputados não eram mensais e, em alguns casos, sequer periódicos. Mas aconteceram, foram numerosos, semelhantes e inequivocamente ilícitos. Não vinham do governo, mas dos empréstimos bancários avalizados pela direção do PT ou de fornecedores das agências do lobista Marcos Valério.

Síndrome idêntica

O Dossiê Vedoin não foi fabricado pela mídia brasileira, foi fabricado pelos "aloprados" (a expressão é do próprio presidente) para ser divulgado pelo semanário IstoÉ precisamente na véspera das eleições e, assim, prejudicar o então candidato ao governo paulista, José Serra. O vilão nesta história não é a imprensa brasileira como instituição, mas uma publicação cuja disponibilidade para acolher dossiês e contrabandos informativos foi determinante para articular a conspiração.

Deslizes e irresponsabilidades foram cometidos pontualmente (também registradas no caso Watergate), mas a imprensa brasileira não pode ser colocada no banco dos réus já que a denúncia, investigações e providências a respeito do "dossiêgate" partiram da Polícia Federal. Jornais e jornalistas não poderiam ignorá-las. Neste caso, sim, estariam sob suspeição.

A atual onda antimídia ganha proporções de verdadeiro linchamento. Como qualquer estouro da boiada ou quebra-quebra, não aconteceu por acaso. Alguém a iniciou. A doideira grupal não pode ser atribuída ao demônio, começa a partir de uma doideira individual que rapidamente aciona os núcleos de insanidade que todos possuem em diferentes graus. Os "aloprados" referidos pelo presidente Lula sofrem da mesma síndrome que ataca os militantes encapuzados da nova Ku-Klux-Klan.

Desvario político

O demente Adolf Hitler foi o intérprete e vocalizador de uma demência coletiva. A "banalidade do mal" referida por Hannah Arendt só é encontrada em grupos onde vige a lei do vale-tudo. A diabolização da mídia nos palanques eleitorais não aconteceu uma vez – foi repetida, multiplicada até que aparecessem os aprendizes de feiticeiros conhecedores das técnicas para iniciar badernas, mas incapazes de evitar suas vítimas fatais.

Os empastelamentos de jornais – uma das nódoas da nossa história política – repete-se agora na Era Digital com empastelamentos virtuais e nem por isso menos violentos e covardes. A mídia precisa ser observada e criticada como todos os setores da sociedade, mas não pode ser convertida em bode expiatório. Sem uma imprensa livre de intimidações, os escândalos continuarão a ser fabricados nos desvãos da política.

O inimigo da humanidade é o fanatismo. Agora mais do que nunca. O desvario político é tão desumano quanto a intolerância religiosa. Por isso, as mãos só podem ficar limpas, como quer o presidente Lula, quando o juízo for encontrado e as cabeças voltarem ao lugar.




*Afonso*
afonx@bol.com.br
Inserido em: 2006-11-04 10:03:17

É realmente alarmante e impressionante o papel que fez da grande mídia, aliados da campanha Alckimin nestas eleições. Áliás, como podem ser chamados de jornalistas pessoas como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi da Veja, Eliane Catanhêde e Clóvis Rossi (saudades de Cláudio Abramo) da Folha, etc..? A lista é longa.


*Marcos Simões dos Santos*
mss62@terra.com.br
Inserido em: 2006-11-04 07:52:16

Alguns poucos jornalistas, é verdade, não aceitaram o golpe contra a democracia encabeçada pela grande mídia. Houve um cem número de bloguistas que se insurgiram contra essa excrescência midiática. Tenho certeza que a sociedade, mesmo os mais pobres que não têm computador em casa mas devem ter sido informados pelos amigos, vizinhos, colegas de serviço, etc., repudiou a campanha feita pela grande imprensa em prol de um candidato que destruiu sonhos e despedaçou esperanças no tempo em que permaneceu no governo paulista. Nem vou observar ao idos de FHC.
Dentre o mais conhecidos jornalistas, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, entre outros de pouca visibilidade mas com conteúdo cultural-histórico de fazer inveja, a posição tomada por eles foi de extrema importância contra o retorno ao poder das forças dos entreguismo institucional e das negociatas lesa-pátria. Abalizados de conhecimentos do que acontecia nos porões do golpe por esses bravos democratas, muitos foram às ruas debater, na conversa no serviço, no batepapo de bar, no churrrasco dos fins de semana..., esclarecer os mais incautos ou impressionáveis midiáticos das reais intenções dos grandes meios de comunicação e da oposição reacionária na destruição do governo do presidente Lula. A chave do cofre, outrora nas mãos insensatas dessa gente que não gosta do Brasil nem de seu povo mais humilde, estava em jogo. Ou seja, a vida de várias gerações, desde o recém nascido ao vovô, estava na disputa.
Venceu a esperança ao ódio estampado nas páginas imundas dos jornais de grande circulação. Venceu a esperança ao ódio estampado nas telas emporcalhadas das redes de televisão (acho que não escapou nenhuma). Venceu a esperança ao ódio difundido pelas ondas "fétidas" do rádio.
Parabéns jornalistas de caráter. Parabéns senhores da imprensa alternativa que não se deixaram seduzir pelo ganho fácil (só pode ser isso que fez ícones do jornalismo brasileiro atentar contra a democracia incipiente do Brasil) ou pela triste posição do statos quo a troco de miséria e pobreza extremada de pessoas humildes e desprotegidas pelas instituições contaminadas, envenenadas. Parabéns homens (poucos) da imprensa que se insurgiram contra essa vergonha protagonizada pela mídia encardida e seus editores, redatores, repórteres, chefes de reportagem, pauteiros que também carregam a mácula dos golpismo e da falta de vergonha na cara.
Parabéns povo brasileiro pelo "tapa na cara" de toda essa gente suja e nojenta.
Mas a luta vai continuar. Não podemos arriar a guarda ou dispensar as armas do conhecimento e do repúdio contra mais um golpe que se avizinha, que está sendo preparado em fogo brando e tem poder letal.
Não façam isso! Repito, não façam isso. As conseqüências serão desastrosas para ambos os lados. Todos teremos a perder e muito pouco a ganhar do que sobrar.
A sociedade democrática (se organizando cada vez mais e mais) do Brasil agradece.
Obrigado.
Marcos Simões


*Antonio Valadão*
toni_vall@yahoo.com.br
Inserido em: 2006-11-03 23:46:33

Acho importante que não se deixe esse tema esfriar. Faz-se necessário mais debates e, se construir uma agenda bem ampla e um debate aprofundado sobre democratização dos meios de comunicação. O momento é bem oportuno.
 Publicado em: 2006-11-03 por admin, última modificação em: 2006-11-03 por admin

 

 

     

NovaE.inf.br é uma revista pluralista na divulgação de idéias e conceitos a respeito de Internet, nova economia, cibercultura, política, cultura, literatura, mídia, comportamento, filosofia e cidadania. Portanto, as opiniões emitidas em colunas e em artigos assinados não correspondem, necessariamente, à opinião dos editores.
Conteúdo autorizadoSaiba mais sobre o projeto.

Desenvolvido com tecnologia PHP-Nuke, liberado sob licença GNU/GPL.

Desenvolvimento de sites em Santa Catarina: CMM Interativa.

Para visualizar melhor a NovaE utilize a configuração de tela 1024 x 768