As cavalonas gostosas de Robert Crumb

Cartunista propôs nova concepção de beleza feminina e criou musas eróticas com 30 quilos em cada coxa

André Azevedo da Fonseca

Elas são grandes, tetudas, coxudas, pesam 90 quilos e foram transformadas em irresistíveis símbolos sexuais. São as dezenas, centenas, milhares de cavalonas ultra-gostosas desenhadas por Robert Crumb, o mais devasso de uma geração de cartunistas undergrounds que nos anos 1960 e 1970 revolucionaram a história dos quadrinhos adultos.

Crumb foi um dos ilustradores mais requisitados para representar o imaginário dos movimentos de contracultura que sacudiram os Estados Unidos naquela época. Ele desenhou capas de discos antológicas – como o Cheap Trills, de Janis Joplin – e criou personagens doentios para avacalhar os mais caros valores norte-americanos. Mas se Crumb povoou o universo hippie com ilustrações de maníacos sexuais abobalhados, hippies fedorentos e outros tipos esquisitos como o Mr. Natural, Devil Girl e Fritz the Cat, suas potranconas eróticas superaram as fronteiras da crítica e transformaram-se em um vigoroso discurso a favor de um novo padrão de beleza feminina: em duas palavras, abaixo as lagartixinhas esqueléticas; viva as grandalhonas boazudas!

No universo de Crumb, as magricelas jamais foram retratadas de forma erotizada. Elas eram sempre feiosas, sujas e abatidas. A volúpia de Crumb sempre foi saciada através de mulheronas suculentas, robustas, repletas de carnes inabaláveis, prestes a arrebentar as alças de seus minúsculos sutiãs. As cavalonas afrodisíacas de Crumb estavam sempre ultrapassando os últimos limites, elas mal cabiam nas calcinhas, mal conseguiam respirar. Eram tão exageradamente gostosas que chegavam a ser deformadas, até mancavam de tão tesudas. Conta-se que Robert Crumb empregou de tal forma seus desejos carnais ao imaginar essas mulheres que masturbava-se compulsivamente enquanto as desenhava. Mas se essa elefantíase sexual foi um incontrolável delírio libidinoso, a crítica às anoréxicas ainda procede.

Atualmente, devido ao sucesso de inúmeras celebridades magricelas, ainda persiste a idéia de que mulheres bonitas devem ser esqueléticas. Essa noção está sendo duramente combatida até mesmo no chamado mundo fashion, como foi o caso, há alguns dias, da Semana de Moda de Madri, que proibiu modelos muito magras de desfilarem no evento. Assim, podemos imaginar que o lascivo Robert Crumb deve estar batendo palminha, pois hoje em dia, vez ou outra, ainda espalha por aí um punhado de novos desenhos mostrando que as magricelas não estão com nada, pois tesudas são as gordinhas. 

André Azevedo é jornalista e historiador. Professor do curso de Comunicação Social da Universidade de Uberaba (Uniube)

        

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*Daniel Coronado Stambouli*
danieldaguitarra@ibest.com.br
Inserido em: 2006-10-14 17:48:39

Salve as "cavalonas" e Robert Crumb!

Eu nem lembrava mais da capa do disco da Janis! Eu sempre olhava essa capa de disco muito divertida, mas nunca tinha me chamado atenção autor dos desenho! Muito bom!
Salve as "cavalonas" Salve! heehehhe


*marco antonio silva*
ssegredos @terra.com.br
Inserido em: 2006-10-12 12:18:01

ótima matéria mas como faço para ver as cavalonas gostosas?!??!?!?!?!?!?
 Publicado em: 2006-10-03 por admin, última modificação em: 2006-10-07 por admin

 

 

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