"Apesar da crise", Lombroso vive
2015-07-23 10:58:00

[Por Cíntia Alves]




Jornal GGN - No início de julho, a Câmara dos Deputados aprovou, em primeira votação, o projeto que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos. Sob a relatoria do deputado Laerte Bessa (PR), a proposta - que passou após manobra regimental de Eduardo Cunha, questionada no Supremo Tribunal Federal - virou alvo de reportagem do The Guardian. Ao veículo, Bessa disse que o aval ao texto é uma vitória para a sociedade, que terá a sensação de insegurança reduzida.

Além disso, ao The Guardian, o parlamentar rebateu as críticas que tratam da superlotação dos presídios brasileiros e apostou que, no futuro, a ciência ajudará a identificar, ainda na barriga da mãe, se o bebê tem inclinação à criminalidade. Segundo ele: "Um dia, chegaremos a um estágio em que seremos capazes de determinar se uma criança, no útero, tem tendências criminosas e, se isso acontecer, a mãe terá permissão para não dar à luz."

O pensamento de Bessa lembra os ensinamentos de Cesare Lombroso. O italiano fez sucesso ao desenvolver teorias que associam demência à deliquência. Sua carreira na área criminal, somada à experiência em medicina e psiquiatria, o motivou a escrever a chamada "caracterologia" - teoria que permite a identificação de instintos criminosos em humanos a partir de análises morfológicas. Para Lombroso, assimetrias na face ou dimensões "anormais" do crânio e da mandíbula, por exemplo, já eram indícios de inclinação ao mal.

As ideias de Lombroso para identificar delinquentes ficaram no século XIX. Já o futuro traçado por Bessa lhe rendeu o último lugar na galeria de tipos lombrosianos, logo abaixo.

 

 Fonte: Jornal GGN