Manifesto do Stressionismo

Entrevista a Manoel Fernandes Neto
A arte pode ser inspirada pelo estresse do cotidiano? Um grupo capitaneado pelo artista visual Wilson Inácio acreditou que sim, e lançou o Manifesto do Stressionista, em 2007, o qual já conta com um ambiente de rede, além de inspirar diversas atuações artísticas pelo País. Wilson, que foi professor da Universidade Estadual de Londrina, nas disciplinas Crítica e História da Arte, e atualmente desenvolve um trabalho como arte-educador no Ponto de Cultura Malha Cultural e Cidadania, de Cambé, conversou com a NovaE sobre o Manifesto e sua multiplicação.
Neste tempo de movimento, quais são as principais conquistas?
Acredito que a principal conquista nesse período de existência do "Surto Stressionista" foi, em primeiro lugar, a construção de conhecimento; e também as ricas reflexões sobre arte e sociedade contemporânea que eu obtive. Uma troca de ideias, textos e imagens com artistas, músicos, atores, poetas, críticos de arte, entre outros. Além disso, alguns trabalhos embebidos com a poética do estresse foram inseridos no circuito artístico brasileiro, em salões de arte, mostras artísticas e festivais de vídeo e cinema, tal como o trabalho intitulado "O Tempo", um vídeo-minuto ganhador do Festival do Minuto em 2007 e inserido na Mostra Mil Minutos, de 80 países, no MASP, em março de 2009. Ainda na área audiovisual, posso destacar a participação no 6º Festival de Cinema e Vídeo de Santa Maria – RS, em 2006, e na 4ª Mostra Trash de Cinema e Vídeo Independente - Goiânia 2008, com o curta "O Incrível Capitão Stress Contra o Monstro Celular, ao lado de gigantes do gênero, como Ivan Cardoso e Zé do Caixão; e o curta "Doce Suicídio", no Festival Tela Digital - TV Brasil 2009. E também algumas matérias sobre o estresse divulgadas na internet, jornais, sites, blogs. Um vídeo-documentário sobre o Movimento, realizado pelo jornalista Paulo Pietro e divulgado na internet, no site de inclusão digital http//:tvpontoaponto.ning.com/video.
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Leia o Manifesto
O neologismo estresse ou stress foi utilizado primeiramente na Física, para traduzir o grau de deformidade sofrido por um determinado material (metal), submetido a um esforço ou tensão. O Dr. Hans Selye (médico) transpôs a palavra stress para as ciências biológicas, aplicando-a na Medicina, significando-a como o esforço de adaptação do organismo para enfrentar situações adversas ou que comprometam o seu equilíbrio interno.
Hoje, usamos a palavra estresse, indiscriminadamente, para definir diversas sensações que temos, geralmente sendo empregada a situações de desgaste ou negativas. Portanto, é necessário ressaltar que estresse ou stress significa, também, situações prazerosas, reações orgânicas e psíquicas de adaptação que o organismo emite quando está exposto a qualquer estímulo que o excite ou o faça feliz – apreciar uma obra de arte, ou produzi-la, por exemplo. Então, por que não falar em Arte e Estresse?
Leia na íntegra
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Quantas pessoas estão hoje envolvidas, fazendo arte com este enfoque?
Não sou capaz de precisar esses números nem de citar todos os nomes, mas espero que eles aumentem. Mas já existem pessoas declaradamente afetadas pelo surto do estresse, como o grande amigo, arte-educador, poeta e artista multimeios Celso Martins de Souza que, além de realizar trabalhos declaradamente "Stress", cedeu o texto que gerou o curta-metragem "Doce Suicídio"; o artista e músico londrinense Thadeo Amélio, da Banda Versana; o artista, ativista e crítico de arte Rubens Pillegi Sá, que é um dos precursores do "Dia do Nada" e escreve no site do Canal Contemporâneo do Rio de Janeiro, também simpatizante do Movimento. Nomes como Ana Cristina Morthensen – "Ana Fogo", que inaugurou a literatura Stressionista no blog do stress; William Alexandre, que foi protagonista no curta "Doce Suicídio"; Ricardo Maria Belin, artista de "Asa Voadora", entre outros amigos espalhados pelos Estados brasileiros.
Como você analisa o Manifesto?
Como toda a arte, é processo... Digamos que o Manifesto escrito foi o "big bang" que eclodiu para as ações reflexivas, críticas, estéticas e o impulso gerador do ato criativo. Diante de toda a problemática: como se criar o novo na contemporaneidade? - que é um dos pontos em destaque dentro do Movimento. Talvez a Cibercultura ou Cultura do Remix, ou a suposta Pós-Modernidade, o híbrido, a sociedade da informação (seja lá o que for que estejamos vivendo) seja a resposta; o "contra-ataque" ao discurso das vanguardas instauradas no século XX, autoritário, que tentou apagar o passado em nome do novo. O estresse chamado de "mal do século" não deixaria a arte passar "em branco", sem dar as suas pinceladas.
Em sua opinião, qual a relação entre Internet, estresse e arte?
Das palavras mencionadas acima, a mais antiga é arte, que sempre esteve presente nos tempos mais remotos da atividade humana, manifestando-se em sentido "especular", ou seja, é reflexo dessa sociedade que se deixa influenciar por ela, porém não como agente passivo, mas como agente de transformação social. É possível encontrar vários exemplos na história da arte. O Modernismo brasileiro, por exemplo, foi um movimento artístico que lançou os seus reflexos na sociedade, apesar de ser formado por cidadãos pertencentes às oligarquias paulistas da época, fato que difere muito dos nossos tempos atuais, pelo surgimento da Internet, que é a grande vitrine servindo de palco para as mais distintas manifestações, e tendo a arte eletrônica como o grande expoente da contemporaneidade, através de seus novos processos, meios de comunicação, etc. O estresse é o chamado "mal do século". O uso da palavra estresse é aplicado em termos genéricos, a varias atividades. E por que não ser aplicado também à arte em seus inúmeros desdobramentos? A Cibercultura ou cultura do "Remix" alia todas as possibilidades de criação artística, devido aos novos meios de produção imagética; tudo é um misto, tudo é hibrido, tudo é remix.
ARTE + I NTERNET + ESTRESSE = Contemporaneidade.
Trocando em miúdos: arte (como expressão da contemporaneidade), aliada à Internet (veículo máximo da sociedade da informação). Estresse reflexo comportamental contemporâneo.
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Publicado em: 2009-08-21 por admin, última modificação em: 2009-08-21 por admin |