Humanistas
Legal essa rede. O novo Avatar. É possível criar todos os tipos de especulações do por que e para que serve a Internet. Alguns transpiram o esoterismo Zen. Liberte a mente que seus dedos teclarão como uma ave de rapina voa para degustar a carniça. Liberte a mente, solte as amarras e destrave seu coração. Estamos na hora da verdade.
Meus pensamentos não são nada esotéricos. Gosto da complexidade simplista da arte Zen. Não há nada mais Hacker do que a capacidade espiritual de difusão do conhecimento. Aliás, o conhecimento sempre existiu. Abra a mente para entrar. Esta é a grande promessa da rede.
Mas por que a promessa? E não realidade? Um aspecto um tanto lingüístico. É ou não é. Sim, a Internet é uma realidade, mas é uma promessa de liberação do espirito. Liberdade ainda que tarde, pois se demorar muito para o ser humano entender que o mundo tem que mudar, não sobrará viva alma para apagar a luz.
Acendamos a vela. Luz para iluminar as cabeças insanas. Ou será que sou eu o louco? Eu apenas vejo algumas possibilidades de transformação. E não vejo motivos de ser taxado como meshiguine. Prefiro ser taxado como futurólogo, visionário e até sonhador. Afinal, quero “viver ... E não ter a vergonha de ser feliz..."
Einstein diz: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Imaginar que existe uma saída honrosa para a humanidade é melhor do que esperar o fim do jogo. Deixar a calota polar derreter, aumentar o buraco na camada de ozônio, desmatar a floresta amazônica, destruir as vidas inocentes pela fome, frio, terror, ataques militares, intolerância e todo o fel que corre pelo canto da boca dos líderes que crêem apenas na sua própria existência e inteligência de apartar o rebanho.
Pois aconteceu a Internet. Nova forma de conversação. Pessoas conversam com pessoas. Pessoas ficam muito mais inteligentes, mais imaginativas, mais donas do seu próprio nariz e distantes dos seus umbigos egoístas. A palavra é colaboração. A idéia é um novo bom senso. As pessoas acreditam que existe outras fórmulas de estabelecer um relacionamento. As percepções se transformam. O ser digital prefere encarar o mundo sob um novo enfoque. Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A velha ladainha da Revolução Francesa nunca foi tão real. Para atender a essa tríade queremos mais: o conhecimento livre.
Nada esotérico. Nada espiritual. Não me parece um desígnio dos deuses. Penso que é a evolução normal da humanidade. Temos uma tecnologia que facilita a democratização do conhecimento e das relações com o poder. Não precisamos mais esperar que os grandes líderes cavalguem para as batalhas. Podemos trocar informações no micro mundo e deliberar novas alternativas que num passeio pela democracia atingirá um numero maior de simpatizantes. Pois é, um debate real existe num espaço digital. Internet é de verdade, não é apenas mais um vídeo game.
Mas que parece uma brincadeira. Isso parece! Acho que faz parte do futuro. O trabalho se funde ao lazer. Trabalhamos como jogamos vídeo game, e jogamos vídeo game para aprender a trabalhar. Pense: a nossa educação está cada vez mais sob a equação do acerto e erro. E nisso o vídeo game tem ensinado muito às crianças, assim como, o próprio computador.
Essa é a promessa da rede. Elevar o homem a uma dimensão distinta. Onde os traços do passado sejam encarados como base estrutural da sociedade. Mas passível de transformação. Nem sempre fomos capitalistas, industrialistas, gerencialistas e especialistas. Ainda dá tempo de sermos humanistas.
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12.2001
Hernani Dimantas é coordenador do laboratório de inclusão digital e educação comunitária - lidec - escola do futuro - usp http://futuro.usp.br; colaborador em diversos livros sobre cibercultura, e editor do marketinghacker.com.br
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Publicado em: 2009-08-18 por admin, última modificação em: 2009-09-22 por hernani |