O homem é o lobo do homem
2009-03-31 17:37:40

Hernani Dimantas

Não sou, particularmente, um fã de Matrix. Isso não significa que acho ruim. O primeiro episódio tem seu charme. Os outros dois se perderam um pouco nas correrias dos roteiros.

Eu gosto de ficção científica. Mas prefiro os blocos monolíticos da 2001 - uma odisséia no espaço. HAL (somando uma letra neste acrônimo forma IBM) não é a personificação demoniaca. Mas um ser que busca sua própria sobrevivência. Não exitem heróis no 2001. O filme não é messiânico. A salvação é ludita. Destruição da máquina. É interessante assistir a esse filme em flash. Uma retomada ao enigma da ódisseia. Da replicação darwiniana.

 

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Esta replicação fica mais evidente em Blade Runner. A máquina se torna tão perfeita que reproduz o homem a sua semelhança. Numa cruzada para reencontrar a essência humana. O homem é o lobo do homem. Um contínuo processo de auto-destruição. Blade Runner é otimista. Apesar da destruição a mensagem final é de amor. A simbiose do humano com a máquina (física ou biológica) desmonta a idéia da usurpação do homem pela máquina. O homem se torna máquina e a máquina se torna humana.

Matrix, no entanto, está nas salas de cinema, nas capas pretas, nos óculos negros. Está nas prateleiras das livrarias aproximando Hollywood da filosofia. Em Matrix - Bem-vindo ao deserto do Real, William Irwin traz uma coletânea de textos para que as pessoas questionem o seu próprio universo.

As referências dos textos perambulam pelos aspectos religiosos. Não precisamos estudar muito para perceber o destino messiânico do personagem Neo. Mas creio que estas características pseudo teológicas não são importantes. Morpheus não é o deus dos sonhos, Morpheus está mais para João Batista, para (São) Paulo às avessas. Mas que importa? Quem é Trinity? O que é Zion? Quem é Smith?

O mais interessante está em compreender que tudo tem uma explicação. Smith é um vírus, mas pode ser o demônio maldoso de Descartes. Smith é um conquistador. Luta com a máquina para conquistar a própria máquina. Pela sobrevivência da espécie Smith. E pelo domínio de Matrix.

Matrix é possível. Mentes artificiais são possíveis. A tecnologia cedo ou tarde vai alcançar este nível de simulação. O Deep Blue, o computador que joga xadrez, derrotou o grande mestre Kasparov. Deep Blue já possui alguma inteligência. Não dá para negar.

Mas o que podemos fazer para enfrentar esse desenvolvimento tecnológico? Acho que existe uma questão filosófica importante: Até onde queremos chegar? A tecnologia utilizada para o mal pode aumentar as diferenças entre os seres humanos. A pílula vermelha é o atalho para 'toca do coelho'. Estamos sempre atrasados para a vida. A pílula vermelha nos mostra a verdade. Transparente e real. Tira as máscaras de uma sociedade que vive num eterno sonho.

Bem-vindo ao deserto do Real escancara o Matrix. Pelas simbologias religiosas, teístas, ateístas, gnósticas e agnósticas. Uma salada composta de requintes que nos fazem pensar. Entender um mundo muito além das baboseiras hollywoodianas. Se a filosofia só fosse encontrada nos textos filosóficos e só tivesse relevância nas vidas dos professores, seria uma diciplina enfadonha e estéril que muita gente pensa, erroneamente. Mas a filosofia existe em toda a parte, é sempre relevante e pode iluminar a vida de todo mundo: como Matrix, ela 'está em todo lugar.

Entender o mundo que vivemos. Assim como Matrix. Com um distanciamento descolado da realidade nos faz compreender a vida. Creio que só podemos enxergar a verdade quando esta não nos pertence. Não está dentro da gente. Pois, Minha verdade não é real. É apenas a minha verdade. Matrix é uma simulação do mundo que vivemos. Matrix é demônio no espelho. Onde enxergamos o desespero. E o aprisionamento que vivemos. O simples fato de tocar nessa emoção é o caminho para a liberdade. Entender, questionar, destruir e recontruir é uma tarefa humana para a sua própria sobrevivência. Filosofar é preciso.

Hernani Dimantas - Pós graduado em Marketing - FGV-SP, consultor em Privacidade e Marketing, editor da revista Buzzine e das e-Zines Marketing Hacker e Mercado Hype . É colunista de diversos sites e revistas. Membro do núcleo de redação da Novae

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02.2004
 







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*Susana*
Inserido em: 2009-05-12 12:57:19

Há discussões sobre a derrota de Gasparov para o computador IBM, (ação de marketing) outro dia passou na net um documentário sobre o fato.Procure averiguar.
Atenciosamente.