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A liberdade de uma democracia não é segura se o povo tolera o crescimento de poder privado ao ponto de tornar-se mais forte que o próprio Estado democrático. Isto, em essência, é fascismo – o apossamento do governo por uma pessoa, por um grupo, ou qualquer poder privado de controle.
(Franklin Delano Roosevelt)



“Santo Agostinho conta a história de um pirata capturado por Alexandre, o Grande, que lhe perguntou: ‘Como você ousa molestar o mar?’. ‘E como você ousa desafiar o mundo inteiro?’, replicou o pirata. ‘Pois, por fazer isso apenas com um pequeno navio, sou chamado de ladrão; mas você, que o faz com uma marinha enorme, é chamado de imperador’.”

A citação abre o prefácio do livro de 1986 “Piratas & Imperadores – O terrorismo internacional no mundo real”, do pensador e professor Noam Chomsky, e resume uma questão fundamental que hoje intriga as relações internacionais, a do terrorismo. Que se coloca num mundo em que um império belicista, reinante num curto interregno entre o fim da II Guerra em 1945 e o ano 2008, tentou dominar a cena internacional nos últimos oito anos do seu fátuo esplendor pela manipulação falseada do conceito de terrorismo.

Há duas expressões em inglês, de largo uso no trato do tema, que desvendam a realidade do terror na história contemporânea dos povos e Estados: wholesale e retail, nossos conhecidos atacado e varejo. O terrorismo no atacado no Ocidente é referenciado já no século XVIII, violência e intimidação para submeter populações humildes da parte de poderes discricionários. O terror no varejo dirigido a pessoas teve seu auge recente entre a década de 1880 e 1914, início da I Guerra a partir do atentado letal contra o arquiduque austríaco em Sarajevo. Foi levado à frente, com bombas caseiras e armas leves, atiradas contra reis e nobres, representantes das elites e políticos em geral, por anarquistas europeus e dos EUA que conjugavam embates políticos contra comunistas e socialistas pela hegemonia do movimento operário e revolucionário com bombas.

INIMIGO COMUNISTA
A derrocada da União Soviética planteou um problema de ordem doutrinária para os EUA e seus aliados. No ocaso da II Guerra, na corrida para chegar a Berlim, o Exército Vermelho ocupou boa parte da Europa Central e Oriental e a região oriental da Alemanha, instalando no poder comunistas e forças que haviam resistido aos nazistas. Dois fatos foram determinantes em 1949: a explosão da bomba nuclear soviética e a revolução comunista chinesa, que entregava aos comunistas o domínio parcial da maior massa de terra do planeta, cenário da luta mais que secular, o Great Game, do Ocidente marítimo contra a Rússia e os poderes mediterrâneos.

Nessa nova realidade, todos os movimentos da aliança atlântica Otan passaram a pautar-se pelo combate ao inimigo comunista. O contexto justificou a presença permanente das vozes das forças armadas no cenário político, quando não passavam (passam) à condução direta do aparelho do Estado; o crescimento e o aperfeiçoamento de armas cada vez mais letais e tecnologicamente avançadas; a destinação de parcelas crescentes dos orçamentos para armamento, forças militares e atividades de guerra; o fortalecimento das correntes políticas de direita e extrema-direita.

Idéias inimigas
Outro aspecto vital desse ambiente de luta entre capitalismo e comunismo são as idéias, na busca da conquista daquilo que, à época da guerra do Vietnã, se referia como corações e mentes. O Ocidente diz-se arauto da ‘democracia’ e da ‘liberdade’, da garantia da ‘segurança’, pilares da vida social e valores absolutos; pouco importa se, para disseminar suas idéias e fazer valer suas políticas, o Ocidente ofereceu (oferece) apoio à instalação e funcionamento de ditaduras.

O cenário político da década de 1970 na América Latina aclara essa relatividade perversa de conceitos: as ditaduras instaladas, com apoio e, em muitos casos, participação direta dos EUA, como em Brasil e Chile, eram consideradas vitais para preservar a ‘segurança nacional’ e contrapor-se à ‘ameaça comunista’, expressão aplicada a fortes movimentos de massa com reivindicações que, se atendidas, promoveriam mais bem-estar e equilíbrio social. Disseminaram-se ditaduras que reprimiam o ‘inimigo interno’ em nome da ‘democracia’ e da ‘liberdade’. A contradição orwelliana realizava-se plenamente, uma vez estabelecido o ‘comunismo’ como ‘O Mal’, e qualquer força oposta era bem-vinda como encarnação dos valores ocidentais e cristãos. É o ‘maniqueísmo justo’, enlace de contrários que intenciona tornar aceitável toda arbitrariedade.

Inimigo ausente
Com o fim da União Soviética, O Mal deixou de existir, quase todos os países ex-comunistas tornaram-se ‘democráticos’, a China passava por reorientação que admitia o capitalismo controlado, e com isso perderam seu pedestal todos os argumentos que justificaram as ações. A Otan, após a dissolução do Pacto de Varsóvia, contrariando a esperada mútua dissolução, fortaleceu-se e ampliou seu território de ação e presença. O Ocidente ‘ganhou’, mas ‘perdeu a razão’ que amparava as suas aventuras bélicas e seus orçamentos militares inflados. Criou-se a insuportável realidade do inimigo ausente, e firmou-se a irrespondível interrogação: Quem é o inimigo?

Impérios belicistas e regimes totalitários necessitam de inimigos além do ‘inimigo interno’. A Rússia abriu as cortinas ao capitalismo, principalmente pela mão do pândego Boris Yeltsin, e experimentou abertura para empresas e instituições capitalistas e as muitas patifarias que acompanham seus grandes negócios, sem deixar de acrescentar a sua contribuição original na forma de privatizações fraudulentas, à la FHC, que ergueram ou firmaram em pouco tempo muitas máfias russas e fortunas espúrias. A Rússia tornou-se, com seus bandidos e homens de negócios, um país normal, não posava mais como o grande inimigo (jogo retomado com a ascensão de Putin e os seus).

REGIME CHENEY-BUSH
Em janeiro de 2001, assumiram o poder os republicanos Dick Cheney, ex-presidente da Halliburton / KBR (equipamentos petrolíferos / obras e mercenários) e membro antigo do Estado Profundo, e George Walker Bush, filho do ex-presidente Bush, autor da invasão do Iraque em 1991, ex-chefe da CIA e participante permanente e influente do Estado Profundo. Bush filho, que derrotara na convenção o expoente da extrema-direita republicana John MacCain, era desprovido de dotes para o exercício do cargo: ex-acadêmico bagunceiro e beberrão e membro de confrarias estudantis de direita, é despreparado e imaturo. Após a eleição de 2000, roubada, com auxílio da corte suprema de justiça, do vitorioso democrata Al Gore (que renunciou à luta pela legitimidade da sua eleição e à carreira política em razão de graves ameaças a sua família), Bush teve de receber curso rápido de atualização em assuntos internos e internacionais.

O repórter investigativo e analista político Thierry Meyssan, em “La continuidad del poder en Estados Unidos, detrás de la Casa Blanca”, anota em seu réseauvoltaire: “Não houve outro remédio senão preparar o novo candidato, com a maior precipitação. Formou-se uma nova equipe com Dick Cheney, o grande chefe do Partido Republicano, e vários dos homens-chave do Estado Profundo. Deu-se a Bush uma formação acelerada mediante um grupo de especialistas, os Vulcanos (nome do deus encarregado de forjar as armas no Olimpo), sob a direção do inoxidável Henry Kissinger e da sovietóloga Condoleezza Rice. [...] Da mesma forma que na época da chegada da dupla Reagan-Bush, o verdadeiro poder recaiu no vice-presidente”.

Acelerou-se a implementação das novas políticas interna e externa no rumo do ‘novo século americano’. Das ações externas, no contexto do vale-tudo da doutrina, ganhavam vulto a invasão do Afeganistão, para firmar posição estratégica na Ásia Central e abrir caminho ao oleogasoduto da Unocal (cujas tratativas com o Taliban haviam fracassado, o que tornava necessário seu afastamento do poder) que levaria o petróleo-gás da região do Cáspio ao Oceano Índico; a invasão do Iraque, para estabelecer presença forte no Oriente Médio, eliminar finalmente Saddam Hussein, reverter sua decisão de vender petróleo em euro no lugar de dólar e retornar o seu controle para as mãos de empresas aliadas; e a posterior guerra ao Irã, junto com Israel; além de apertar o cerco à Rússia.

MENTIRAS E DESCONVERSAS
Faltava a centelha que iria inflamar corações e mentes e abrir caminhos à investida. Se os atentados de 9 de setembro de 2001 mudaram os rumos do mundo, devem ser desvendados em sua realidade, para que possamos saber a direção e o sentido dos novos rumos. Há sólida certeza de que a história oficial dos atentados de 11 de setembro de 2001 é absoluta falácia, um amontoado de impossibilidades científicas e lógicas. Somam-se centenas de evidências de investigações minuciosas de campo e em laboratórios, de funcionários, agentes de inteligência, militares, pilotos, jornalistas, professores universitários, familiares de vítimas, etc., mais depoimentos e informações vazadas, com registros em livros, filmes, artigos e sites dedicados ao tema (destaque para 911Truth / Journal of 9/11 Studies / 911review / Scholars for 9/11 Truth / Patriots Question 911).

Uma versão bastante consolidada inclui agentes de inteligência nacionais civis e militares que acompanharam o seu desenrolar; e recursos providos pela agência paquistanesa de inteligência Inter-Services Intelligence - ISI, homóloga da CIA estruturada e treinada por seus agentes; alguns analistas incluem auxílios de inteligência da Arábia Saudita. Francesco Cossiga, ex-presidente e ex-premiê da Itália (1985-92), afirma que os armadores foram a CIA e o Mossad israelense, para inculpar países árabes. A suposta ação de combatentes muçulmanos sauditas ligados à Al Qaeda, do agente aliado (e adversário) e milionário saudita Osama bin Laden, é nebulosa.

Sobre os combatentes, nenhuma informação resiste a exame. Quanto à sua contestada capacidade para operar grandes aeronaves e realizar manobras complexas, dado o seu propalado treinamento em aeroclubes, fala-se também em aviões que foram operados por controle remoto. Levantam-se questões como informações sobre os nomes dos terroristas nas listas de embarque e sua identificação nos vídeos do dia dos aeroportos não terem sido estabelecidas com clareza, e a profusão de “pistas” infantis deixadas para trás não condizerem com o trabalho de terroristas profissionais. As primeiras listas distribuídas à imprensa não continham nenhum dos 19 nomes dos acusados posteriormente; aliás, não continham nomes árabes. Após a divulgação dos seus nomes e fotos, dois dos ‘terroristas’ reagiram; estavam bem vivos: um morava no Marrocos, e o outro era piloto da Saudi Arabia Airlines, e havia deixado os EUA em setembro do ano anterior. E não se explicou por que, havendo seqüestros, nenhum dos pilotos acionou o código de seqüestro (7500) às bases, já que há relatos de conversas via rádio sobre seqüestro da parte de atendentes de cabine; ou seja, teria havido tempo suficiente.

Aviões e cumplicidades
É opinião do estrategista general e ex-comandante das forças armadas russas Leonid Ivashov que uma operação da magnitude dos ataques em New York e Washington, com suas amplas implicações, só pode ser planejada e executada por uma poderosa organização, com especialistas do assunto, nunca por um grupo mal preparado de poucos combatentes. O chefe da defesa aérea do território, general Ralph Eberhart, teria imobilizado seus caças em terra, contrariando procedimentos-padrão obrigatórios e rigorosos para casos similares, e permitido os atentados.

Também não houve ação da unidade aérea dedicada à defesa da capital e da sede do governo, a área mais protegida do mundo; o atentado ao Pentágono ocorreu mais de uma hora após o das torres. Como é sabido, não houve Boeing no Pentágono; a versão oficial é falsa. Assinalou-se a presença de parte do motor da pequena aeronave militar Jet Fighter A-3 Sky Warrior nos escombros; o restante foi rapidamente retirado da cena. O avião operado por controle remoto pode ter emitido sinais aos instrumentos de controle e passado por avião militar normal, com toda a sua capacidade de manobras, conforme constatou uma experiente controladora de vôo, Danielle O’Brien, em serviço no dia.

A partir de maio de 2002, Eberhart foi nomeado chefe do Northcom, encarregado da ação de tropas militares na América do Norte e também no país, contrária à Constituição, e do controle do Homeland Security. O site oficial do Departamento de Defesa, em 19 de junho de 2003,
sob o título “Eberhart: 9-11 criou necessidade de novo comando unificado”, noticiava suas declarações: “O general da Força Aérea Ralph E. Eberhart, comandante do Comando Norte dos EUA, assinalou que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 na América propiciaram a mais significativa reorganização do DoD [Departamento de Defesa] desde a sua criação em 1947”. O general tem razão.

Entre os fatos pouco divulgados da ocasião, cita-se a retirada apressada de dezenas de membros da família Laden dos EUA, em avião autorizado a levantar vôo em caráter excepcional. Outro fato é a presença no país desde o dia 4 de setembro de delegação e do chefe do ISI, general Mahmoud Ahmad, que se reuniu com altos representantes do Pentágono, do Conselho de Segurança Nacional, do Departamento de Estado e com o chefe da CIA George Tenet, e também com o falcão Joseph Biden (vice atual de Obama), então chefe do Comitê de Relações Exteriores do Senado. O jornal Times of India, pouco antes da invasão do Afeganistão, publicou reportagem em que se expunha o general Ahmad como portador de 100 mil dólares a Mohammad Atta, ‘coordenador dos terroristas’, o que levou Ahmad à renúncia, forçada pelo presidente Pervez Musharraf. O fato não gerou manifestações do governo nem ações na justiça dos EUA.

Doente ilustre
Mas há fatos mais relevantes, como o publicado pelo jornal Le Figaro e exposto pelo repórter da TV CBS Dan Rather: a presença de Osama bin Laden entre os dias 10 e 12 para atendimento clínico (diálise e problemas urológicos, feita por equipe que substituiu a do hospital) no hospital militar de Rawalpindi, cidade próxima à capital que abriga a cúpula das forças armadas paquistanesas, e do qual foi retirado por membros do ISI assim que o secretário de Estado Colin Powell ameaçou ‘negociações’ com o Paquistão dia 12 para sua extradição.

Osama bin Laden era procurado desde o fim do século passado como apontado responsável por ataques contra embaixadas dos EUA na África. Mas, como argumenta o professor Michel Chossudovsky, de globalresearch, anotaram-se fatos como a presença de Osama bin Laden dois meses antes dos atentados no American Hospital em Dubai, onde recebeu visitas de familiares e próceres regionais, e também do diretor da CIA local. Afirma Chossudovsky:“Mas [se prendessem] eles não teriam pretexto para desencadear uma grande operação militar no Oriente Médio e Ásia Central”.

Revelações técnicas
Também não foram investigadas pela imprensa ou agências de governo suspeitas movimentações no mercado de ações que envolviam empresas aéreas, ou o seguro das torres contra atentados terroristas, de 3,5 bilhões de dólares, feito pelo arrendatário Larry Silverstein pouco antes do 11/9. Nem a implosão, tratada como colapso, que durou seis segundos, da terceira torre lateral de 47 andares e estrutura de aço, ilesa a ataques e com pequenos focos de fogo, horas depois da queda das torres gêmeas, e que sediava escritórios de várias agências de inteligência e de governo e o bunker do prefeito de NY. Mais espantoso ainda, o relatório do inquérito oficial, de 571 páginas, sequer menciona a terceira torre.

Quanto ao ‘quarto avião’ do vôo 93 que teria caído ou sido derrubado na Pensilvânia, até hoje não se encontraram destroços ou cadáveres. O avião do famoso vôo 93 aterrou em Cleveland às 10h45. O aeroporto havia sido evacuado, nem sequer os carros ficaram acessíveis aos usuários, que abandonaram o local a pé. Nada foi encontrado no avião. Quanto aos testemunhos de telefonemas de celulares que retratam esfaqueamentos, seqüestros e afins, apresentados oficialmente como ‘provas’, não foram validados pelo FBI. Na época, na altitude em que voaram, não havia possibilidade técnica para celulares.

Incêndios e explosivos
Das torres gêmeas, não há registro na história da engenharia de colapso causado por incêndios em edifícios com sólida estrutura de aço, muito menos de incêndios de curta duração como os ocorridos em andares de cima das torres de 110 andares. David Ray Griffin, cientista político e estudioso do tema, em extenso artigo em 2006 em resistir.info apresenta com detalhes técnico-científicos onze argumentos que demonstram a tese da demolição controlada das torres gêmeas com explosivos. Vídeos e depoimentos de bombeiros e profissionais presentes documentaram explosões características.

Um desses argumentos refere-se à questão do aço, principal elemento da estrutura. A presença de pedaços regulares de vigas nos destroços, de cerca de dez metros, e de aço fundido na base, em poças de aço derretido que foram observadas durante semanas, como revelaram depoimentos de bombeiros, só poderia ter sido causada por explosivos, tanto quanto o concreto pulverizado. Há dezenas de outros fatos sobre o aço que contradizem a teoria oficial.

Eliminação de provas
A municipalidade de NY ordenou a retirada e a entrega imediata do aço, na velocidade em que fosse resgatado dos escombros, antes que fossem colocados à disposição para investigações, à empresa Controlled Demolition Inc., que tinha acesso ao restrito campo de operações, que o exportou para a China. É a mesma empresa que fez a ‘limpeza’ da explosão ‘terrorista’ de Oklahoma, em 1995. Com isso, o prefeito Rudolph Giuliani cometeu crime de subtração de objetos e provas de um local de crime gravíssimo, e inviabilizou os exames que anulariam conclusões forjadas da comissão oficial.

Citando documentos, Griffin acrescenta: “Esta remoção foi, além disso, executada com o mais absoluto cuidado, porque ‘as cargas consistiam de material altamente sensível’. Cada caminhão estava equipado com um Vehicle Location Device, conectado a GPS. ‘O software registrava cada viagem e a localização, enviando alertas se o veículo afastava-se da rota, chegava tarde ao seu destino, ou desviava-se das expectativas por qualquer outro caminho. ... Um condutor ... fez uma pausa estendida para um almoço de uma hora e meia ... Ele foi demitido’.” E, assim, a sucata de aço recebeu tratamento reservado a metais nobres e ouro.

Dias antes, houve comandos de evacuação sob alegadas ameaças de bombas e seguidos desligamentos de energia por várias horas em alguns andares, para ‘testes de controle’, o que deixava andares inteiros sem câmeras de segurança ou fechamento automático de portas, e dos quais entravam e saíam ‘engenheiros’. A partir do dia 6, cães farejadores de bombas foram retirados do serviço; a energia permaneceu desligada em alguns andares durante doze horas. (A empresa que geria a segurança, presente em muitos outros contratos com militares e governo, faz parte de grupo em que fez carreira de executivo o caçula Marvin Bush, irmão do presidente.)

Parte da conclusão de Griffin nesse artigo é decisiva: “De qualquer modo, já é possível saber, para além de qualquer dúvida razoável, uma coisa muito importante: a destruição do World Trade Center foi um trabalho a partir de dentro, orquestrado por terroristas internos. Terroristas estrangeiros não podiam ter conseguido acesso aos edifícios para colocar os explosivos. Eles provavelmente não teriam tido a cortesia de assegurar que os edifícios colapsassem a prumo (straight down), ao invés de cair sobre edifícios em torno. E eles não poderiam ter orquestrado um encobrimento, desde a rápida retirada do aço conforme o FEMA Report, o The 9/11 Commission Report e o NIST Report. Todas estas coisas só poderiam ter sido orquestradas por forças dentro do nosso próprio governo”.

Bandeira falsa
Especialistas militares revelam que a ocasião ideal para um atentado ocorre durante a realização de simulações de atentados similares. Também pouco se divulga que no dia dos atentados em 2001 desenvolvia-se parte de exercício de simulação de um ataque terrorista com aviões às torres gêmeas e edifícios públicos. Da mesma forma, tropas militares e civis britânicas haviam realizado vários exercícios de simulação de um ataque a estações do metrô até junho de 2005, em que dezenas de pessoas morreram numa estação (voltairenet.org/article128248/html). Em resumo: membros dos serviços de inteligência dos EUA, altas patentes militares e destacados políticos colaboraram com ou permitiram ou omitiram-se de prevenir um atentado que matou cerca de 3 mil cidadãos do país. Esse gênero de ação terrorista, a operação ‘false flag’ ou bandeira falsa, por parte de forças militares, paramilitares e policiais, é bastante comum.

Um clima de comoção pungida instalou-se no país e espalhou-se pelo mundo. Para exacerbar o desconforto, misteriosas cartas com pó da bactéria antrax, de aspiração letal, começaram a circular e fizeram cinco vítimas, o que firmava a convicção pública de que a onda terrorista iniciada com os atentados achava-se em desdobramento. A ‘guerra do antrax’ chegou a brusco fim a partir da revelação, com análise de DNA, de que a cepa usada nas cartas tinha origem no laboratório de pesquisas de armas biológicas de Maryland, do Pentágono. A partir de então, a prudência recomendava aos governantes silêncio e o rápido abafamento do assunto, com o que a imprensa colaborou fielmente. Anos após inquérito e mais de nove mil interrogatórios pelo FBI, o único acusado, cientista Bruce Irvins, que havia colaborado nas investigações, foi achado morto por ‘suicídio com analgésicos’ na prisão.

FALSO INIMIGO
O regime Cheney-Bush acusou uma hora depois dos atentados, sem provas, o pretenso autor, Osama bin Laden e sua Al Qaeda, e acelerou os preparativos há muito iniciados para as suas guerras geopolíticas de ocupação de espaços e de garantia de suprimento de energia (o maior consumidor individual de energia do mundo é o Pentágono). Osama bin Laden sempre negou veementemente a autoria dos atentados. No dia 14 de dezembro de 2001, o regime Cheney-Bush divulgou um vídeo mal editado e escuro em que um irreconhecível Osama bin Laden, mais escuro e mais gordo, assumia a autoria dos atentados. No vídeo, em certo momento Osama bin Laden escreve algo sobre uma mesa com a mão direita. Ele é canhoto, conforme sua ficha no FBI, e além disso usava um anel de ouro, proibido pela lei islâmica.

No dia seguinte, pela primeira vez na história, a Otan invocou o artigo 5 do seu tratado e considerou os ataques como ataques a todos os seus membros. O Taliban afegão, solicitado a extraditar Osama bin Laden, expôs em várias ocasiões, com publicações na mídia, a promessa de entregar o acusado desde que lhe fossem fornecidas provas da sua autoria, proposta nem examinada pelo governo. Na invasão do Afeganistão, justificada pela declaração de guerra à Al Qaeda e seu ‘apoiador’ Taliban e a necessária prisão do seu líder, Osama bin Laden foi ignorado e nenhuma medida foi tomada para a sua localização ou captura, e a partir de então nunca mais foi visto.

NOVO INIMIGO
Na expressão de Condoleezza Rice, ex-executiva da petroleira Chevron e da sinistra Rand Corporation, membro do Estado Profundo e atual chefe do Departamento de Estado, os atentados criaram uma “janela de oportunidades”. Impossível franqueza maior. As guerras em preparação há tempos podiam agora ser deslanchadas com apoio irrestrito da população e dos políticos, e de aliados em todo o mundo. Para os cidadãos, havia sido elaborada muito antes a lei Patriot Act, aprovada pelo Congresso seis semanas depois, que criou o Department of Homeland Security, para a centralização militarizada da espionagem e arquivo de dados pessoais e da repressão internas, e suspendeu ou aboliu quase todas as liberdades civis conquistadas e assentadas. O Homeland Security é hoje dirigido por Michael Chertoff, um dos dois autores da Patriot Act e estrategista legal da guerra ao terror de Cheney-Bush.

Mas o maior panorama que a abertura da janela de Rice permitiu vislumbrar foi a invenção do novo inimigo, após um jejum de mais de uma década (embora Reagan e Bush pai também tenham feito suas campanhas de terror contra o ‘terrorismo’). Quanto a suas ‘virtudes’, o novo inimigo, o ‘terror internacional’, ou sua variante, o ‘terrorismo muçulmano’, é superior ao ‘comunismo’. É difuso e invisível, o que exige medidas variadas e permanentes de vigilância e detecção e a criação de grandes estruturas no âmbito do poder, além de favorecer o envolvimento da sociedade, estimulada pela paranóia destilada na imprensa. É omnipresente, o que justifica o combate em todos os países e regiões. É destruidor, o que valida o uso de violência para proteção a possíveis vítimas. É imoral, o que situa os EUA de forma automática no campo da moral e do ‘Bem’. É eterno, o que assegura uma guerra sem fim.

No universo da variante ‘terrorismo muçulmano’, origina-se em grupos de pessoas avessas ao estilo de vida do Ocidente, acostumadas a fórmulas sociais distintas como o poder assentado no clã, o mando de religiosos e usos e costumes estranhos aos olhares ocidentais, o que facilita o discurso da ‘democracia’ e da ‘liberdade’. E seu horror, alardeado à exaustão na mídia, amacia as resistências da população contra a extensão arbitrária da acusação de ‘terroristas’ a assemelhados, simpatizantes, dissidentes, discordantes, pacifistas, adversários e contrários de todo tipo, e também contra suas drásticas conseqüências para as pessoas em regimes fascistas.

TERROR NO VAREJO
Pouco se fala sobre a participação dos serviços de inteligência aliados na disseminação do terror no varejo. Após a II Guerra, a CIA, com apoio de vários serviços de inteligências europeus, como os da Itália, França e Inglaterra, comandou a organização da rede de tropas ‘stay behind’, com supervisão de comitê no âmbito da Otan. Com aproveitamento inclusive de combatentes de passado nazista e fascista, e por isso anticomunistas, essas tropas, treinadas e armadas, serviriam como primeiro anteparo a um eventual ataque soviético, formando movimentos de resistência, provendo rotas de fuga, etc., e que operavam à margem do poder militar e das leis.

Operação Gladio
Andrew G. Marshall, pesquisador e analista canadense, em “Operation Gladio: CIA Network of ‘Stay Behind’ Secret Armies”, em globalresearch, informa que em 1990 analistas europeus iniciaram estudos sobre as relações entre essas tropas e a ocorrência de terrorismo na Europa Ocidental. Após citar várias de suas operações em muitos países, entre golpes de Estado, atentados e massacres de civis, Marshall debruça-se sobre documentos da Operação Gladio, desenrolada na Itália com o fim de barrar a ascensão dos comunistas, e os vínculos entre as tropas, os três serviços de inteligência e a loja maçônica P2, em que pontificava Licio Gelli e à qual pertenciam os três chefes dos serviços. Citando mais de duas dezenas de fontes, Marshall relata: “Ao fim da II Guerra Mundial, um antigo colaborador nazista, Licio Gelli, que enfrentava execução pelas suas atividades durante a guerra, manobrou para escapar juntando-se ao US Counter-Intelligence Corps. [...] em 1969, desenvolveu laços estreitos com o general Alexander Haig, que era então assistente do conselheiro de segurança nacional Henry Kissinger”.

“O governo italiano liberou em 2000 um relatório de 300 páginas sobre as ações da Operação Gladio na Itália que documentava conexões com os Estados Unidos. [O relatório] revelou que os EUA eram responsáveis por inspirar uma ‘estratégia de tensão’. Ao examinar por que aqueles que cometiam [atentados com] bombas raramente eram presos, o relatório afirma: ‘aqueles massacres, aquelas bombas, aquelas ações militares foram organizadas ou promovidas ou apoiadas por homens de dentro das instituições do Estado italiano e, como se descobriu, por homens ligados às estruturas de inteligência dos Estados Unidos’.”

Homens da Gladio infiltraram-se na cúpula das Brigadas Vermelhas, movimento terrorista de esquerda ao qual se atribuíram vários atentados, inclusive o rapto e a morte de Aldo Moro, primeiro-ministro democrata-cristão entre 1963-1968 e 1973-1976. Moro morreu na ocasião em que entraria em votação no Parlamento um novo governo que seria apoiado pelo Partido Comunista, pela primeira vez desde 1947. Quatro anos antes, em visita aos EUA, havia recebido de Kissinger o aviso: “Você precisa abandonar sua política de chamar todas as forças políticas no seu país para colaboração direta.... ou você vai pagar caro por isso”. À época, as Brigadas Vermelhas eram lideradas por Mario Moretti, agente dos serviços de inteligência.

Um dos maiores atentados da história italiana, a explosão na estação de trens de Bolonha em 2 de agosto de 1980, atribuído à esquerda, que matou 85 e feriu mais de 200 pessoas, teve desfecho surpreendente. Em 1988, quatro terroristas de direita foram sentenciados à prisão perpétua. Marshall acrescenta: “Dois outros acusados foram condenados por difamar a investigação: Francesco Pazienza, ex-financista ligado a vários casos criminais na Itália, e Licio Gelli, ex-grão-mestre da loja maçônica P2”.

Bombas iraquianas
O caso chegou a provocar atritos diplomáticos entre os governos de Iraque e Reino Unido e pedidos de desculpas do seu ministro da Defesa: em outubro de 2005, dois oficiais ingleses foram presos pela polícia de Basra disfarçados com roupas árabes e com um carro repleto de bombas, detonadores e armas, por ocasião de uma grande peregrinação anual à cidade, com cerca de 2 milhões de visitantes. A delegacia policial para a qual foram levados em pouco tempo foi cercada por tropas britânicas e bombardeada, os dois oficiais foram resgatados; a população revoltou-se e atacou as tropas, incendiando um tanque e impondo retirada.

Os oficiais eram do Special Air Service – SAS, unidade de elite de contra-insurgência que opera no Iraque junto com a Força Delta dos EUA e outro grupo britânico com sede na Zona Verde, e que formam o núcleo contraterrorista baseado em Baghdad conhecido como Task Force Black. Uma das atividades desse núcleo é produzir atentados, no contexto da política dos EUA para o país de divisão em três centros de poder: sunitas no centro e oeste, xiitas no sul e curdos no norte. Diversos relatos deixam claro que muitos atentados, principalmente contra mesquitas e com uso de carros-bomba, são orquestrados pelo núcleo. Cumprem dupla função: mantêm o medo, o ódio e a divisão, pela imputação a outros da culpa, e reforçam a validade da estratégia do regime Cheney-Bush ao magnificar a ‘ameaça terrorista’.

Disseminar terror
Como revela Marshall, em “Perpetrar terror, para provocar terror... e reaccionar ante el terror”, de julho de 2008 em globalresearch, documento da Associação de Acadêmicos Muçulmanos do Iraque, de maio de 2007, registra o depoimento de um ex-colaborador iraquiano das forças dos EUA: “Fui soldado no exército iraquiano na guerra de 1991 e durante a retirada do Kuwait decidi buscar asilo na Arábia Saudita junto com dezenas de outros como eu. Então começou o processo pelo qual fui recrutado pelas forças estadunidenses, pois havia ali comitês militares dos EUA que escolheram uma série de iraquianos dispostos a oferecer-se como voluntários para unirem-se a eles e serem transportados aos EUA. Eu fui um deles.” Após a invasão de 2003, foi devolvido ao Iraque para “realizar tarefas específicas demandadas por agências dos EUA”.

Entre essas tarefas, puseram-no “a cargo de um grupo de uma unidade que realizava assassinatos nas ruas de Baghdad. Nossa tarefa era realizar assassinatos de indivíduos. O exército de ocupação nos fornecia seus nomes, fotos e mapas dos seus movimentos diários, e se esperava que matássemos xiitas em al-A’zamiyah, e sunitas em Madinat as-Sadr. Matavam quem cometesse um erro. Três membros da minha equipe foram mortos pelas forças de ocupação dos EUA depois que não assassinaram personalidades políticas sunitas em Baghdad.” Revelou que essa unidade de ‘trabalhos sujos’ de iraquianos, estadunidenses e outros estrangeiros “não só realiza assassinatos, mas também alguns de seus membros se especializaram na colocação de bombas e carros-bomba em vizinhanças e mercados”.

Entrou em detalhes dizendo que “as operações de colocação de carros-bomba e do uso de explosivos em mercados são realizadas de diferentes maneiras; as mais conhecidas e famosas entre os soldados dos EUA são a colocação de bombas dentro de carros quando eram registrados em postos de controle. Outra maneira é a colocação de bombas em carros durante interrogatórios. Depois que a pessoa desejada é encaminhada a uma das bases dos EUA, coloca-se uma bomba em seu carro e pede-se que se dirija a uma delegacia ou a um mercado, com algum propósito, e lá fazem seu carro explodir”.

TERROR NO ATACADO
Terror é o que o ‘inimigo’ pratica de violência intimidatória. Legítima defesa, ou defesa da democracia, é o que o Ocidente pratica de violência intimidatória com o poder e a máquina do Estado. Existem então o terror deles e as ‘práticas sadias de defesa democrática’ nossas. Na obra citada, Noam Chomsky esclarece: “[Reagan e Bush] Identificaram dois centros principais do ‘maligno flagelo do terrorismo’, as regiões da América Central e do Oriente Médio/Mediterrâneo. [...] A base de operações de Washington na América Central para combater a tal praga foi Honduras. O chefe das operações nos anos mais violentos foi o embaixador John Negroponte, encarregado por George Bush [filho] em 2001 de liderar o componente diplomático da redeclarada ‘guerra contra o terrorismo’ nas Nações Unidas. [...]

Em ambas as regiões, o governo Reagan realizou atrocidades terroristas maciças, excedendo muito a todos que eles alegaram estar combatendo. No Oriente Médio, grande parte das atrocidades tem sua origem nos Estados Unidos e em seus aliados locais, que deixaram um rastro de sangue e devastação [...] A América Central sofreu flagelos ainda piores nas mãos dos comandantes terroristas de Washington e de seus prediletos.[...] Travadas com barbárie e brutalidade inomináveis, as guerras promovidas pelos Estados Unidos deixaram cerca de 200 mil mortos e milhões de refugiados e órfãos nos países arrasados”.

Iraque
A realidade da guerra levada ao Iraque e ao Afeganistão ultrapassa os piores pesadelos. Após a invasão de 1991 por Bush pai, o Iraque sofreu durante 12 anos um severo embargo econômico (faltavam alimentos, remédios, instrumentos médicos e técnicos, tudo; até mesmo lápis e cadernos aos escolares), apoiado por uma ONU conivente e colaboracionista, e bombardeios aéreos sistemáticos e seletivos pela dupla EUA-Reino Unido. As bombas caíram sobre sistemas de energia e de abastecimento de água, represas, escolas, hospitais, sítios arqueológicos e museus, infra-estrutura de transporte, emissoras e antenas de rádio e TV, plantações e depósitos; enfim, as bases da identificação cultural e da sobrevivência do país. Os invasores em 2003 sabiam que atacariam um país militarmente fraco, devastado e incapaz de resistir, o que torna ainda mais abominável a invasão, se é que isso é possível. Até hoje Baghdad, com 5 milhões, enfrenta racionamento de luz e há bairros sem água.

Foram poupadas nos bombardeios as instalações petrolíferas, da mesma forma que em 2003 foi poupado da destruição e saque na capital, permitidos aos habitantes pelos invasores e que atingiu até mesmo o histórico Museu de Baghdad, o Ministério do Petróleo, com a sede isolada e protegida por tanques. Estimam-se em mais de 500 mil as mortes de crianças no período do embargo por doenças vindas de água contaminada e piores condições de saúde pública. Um dos objetivos da destruição sistemática da rede de saúde e das suas sedes administrativas foi eliminar documentos que pudessem demonstrar as fundas conseqüências das invasões e bombardeios e do embargo econômico sobre a saúde e a vida dos cidadãos iraquianos. Após a invasão em 2003 já morreram no Iraque cerca de 1 milhão 200 mil civis, e há cerca de 3,5 milhões de refugiados, 1,5 milhão no exterior e 2 milhões deslocados dentro do país.

Afeganistão
A destruição no Afeganistão aproxima-se da devastação no Iraque. Já se somam alguns milhões de mortos em suas intermináveis guerras, a maioria de mulheres, crianças e velhos, que permanecem nas vilas e aldeias e tornam-se alvo predileto dos bombardeios, sempre justificados pelo pretexto de abrigarem ‘combatentes inimigos’. (Difícil imaginar que jovens combatentes nunca venham em casa dar um beijo na família.) Objetos voadores bem identificados dos EUA, tripulados ou não, já assinam quase uma dezena de bombardeios de festas, reuniões sociais e casamentos, seguidos de desculpas e ‘inquéritos’. Num caso recente, após o bombardeio de uma festa de casamento em que morreram mais de meia centena de pessoas, inclusive a noiva, moradores das redondezas que acorreram ao local para socorro também foram bombardeados. Um grande objetivo desses bombardeios intencionais e seletivos é infundir medo e terror e imobilizar a população.

O resultado, como no Vietnã, tem sido o oposto. É rasa obviedade que as populações de variadas etnias estão fornecendo combatentes aos milhares para o Taliban e outros grupos de guerreiros, num país formado de etnias armadas que há séculos não se dobra a conquistas. O Taliban já domina e controla mais da metade do território e suas cidades, inclusive os arredores de Cabul, ilhando o presidente Hamid Karzai e seu governo na capital, da qual só sai com proteção pesada de tropas e helicópteros aliados. Karzai é conhecido em todo o mundo como ‘prefeito de Cabul’. Também é rasa obviedade que as lições do Vietnã não foram aprendidas: pouco antes da iminente derrota, os invasores criaram ‘aldeias estratégicas’, outro eufemismo de campos de concentração, para confinamento dos habitantes de regiões inteiras e bloqueio da sua colaboração com os guerrilheiros, o que refletia desespero e induzia certezas sobre o desfecho breve da guerra.

TERROR NUCLEAR
Além do terror no varejo e no atacado, os EUA criaram uma terceira categoria, o terror nuclear. Nunca aparece na grande imprensa o assunto tabu da contaminação ambiental radioativa com urânio empobrecido (depleted uranium – DU – urânio 238), subproduto abundante da produção de urânio enriquecido (3,5% de urânio 235) para usinas e armas nucleares e usos, na proporção de 200 para 1 em peso. Na década de 1980, estocavam-se nos EUA mais de 500 mil toneladas. A aplicação prática do seu emprego foi testada por Israel com armas dos EUA em 1973 na guerra árabe-israelense de cinco dias. Depois de aperfeiçoadas, as armas com DU tornaram-se rotina nos fins do século já na primeira invasão do Iraque e nas guerras dos Bálcãs. Em 1996, a inexpressiva ONU aprovou resolução que declara contrária às convenções vigentes a fabricação e o uso de armas com DU.

DU tem máximos ponto de fusão e dureza, e reveste a estrutura e a cabeça de bombas, mísseis e balas de variado calibre, até mesmo de fuzis. Projéteis de porte com muito DU, por exemplo da ordem de 2.200 quilos, capazes de penetrar grossas paredes de cimento e outros obstáculos, são preferenciais para atingir grandes estruturas, instalações subterrâneas, tanques e veículos blindados, equipamentos navais. Armas com DU são armas nucleares contra populações, e as guerras dos Bálcãs, Iraque e Afeganistão foram e são “guerras nucleares de baixa intensidade”, na expressão obscena do Pentágono. Considerado o largo emprego de DU na fabricação de seu armamento e a sua posição de maior vendedor mundial de armas, o império é responsável pela sua disseminação descontrolada. Dezessete países já possuem essas armas, e todas as guerras da aliança atlântica são e serão guerras nucleares.

Na explosão, DU (imune a destruição, vida média de 4,5 bilhões de anos) cria um ambiente de alguns milhares de graus e se vaporiza em pó finíssimo de nanopartículas, e nessa condição é contaminante e se incorpora a tecidos orgânicos, corpos d’água, vegetais, terrenos e materiais. Seu decaimento radiativo resulta em novos elementos radiativos e emissão de partículas alfa e beta de altíssima energia no organismo. Uma vez depositado em tecidos humanos, por contato, ingestão ou aspiração, levará o portador a doenças múltiplas e à morte, com provável alteração do seu DNA. Na forma final de pó, é transportado por águas, ventos e nuvens e freqüentes tempestades de areia, o que amplia a sua ameaça a todo o planeta; por exemplo, em furacões originados na região que crescem durante a travessia do Atlântico e chegam com alta potência ao Caribe e golfo do México. O furacão atômico com urânio em pó talvez seja a arma mais letal já criada pelo império.

Genocídio e omnicídio
A geocientista canadense Leuren Moret, autoridade mundial em poeira atmosférica e radiação, afirma que a maior parte de Iraque, Afeganistão e ex-Iugoslávia são hoje inabitáveis, dado o grau de contaminação. Em entrevista em 2005, Moret relata: “O urânio empobrecido é uma arma biológica muito, muito efetiva. Este é o objetivo primário do seu uso”. [Como lhe disse Marion Falk, que lhe ensinou bastante sobre radiação], “o objetivo das armas utilizadas pelos militares não é só ferir e matar os soldados inimigos, o objetivo é matar, aleijar e tornar doente a população civil porque isto reduz a produtividade de um país e dentro em pouco uma parte dos seus recursos tem de ser utilizada para cuidar de pessoas doentes. Eles terão cada vez menos trabalhadores saudáveis. Naturalmente, uma vez que você provoca mutação no DNA, este dano é passado às gerações futuras das pessoas ou animais ou plantas afetados. O DNA não se repara a si próprio”.

Em Basra, 2 milhões de habitantes, no sul do Iraque, análises circuladas em 2005 deram conta de que nasciam dez vezes mais crianças com deformidades do que a média histórica, e havia sete vezes mais casos de câncer. Pesquisa do governo dos EUA com bebês de 251 veteranos da invasão do Iraque de 1991 revelou que 67 por cento tinham graves deformidades internas e externas: falta de olhos e orelhas, dedos grudados ou nascidos no ombro, falta de órgãos. Já morreram de doenças correlatas mais de 15 mil veteranos, e há 350 mil (esse número vem sendo consolidado por estudos independentes e estimativas, já que as autoridades não divulgam dados, por motivos óbvios) em licença médica, que, ou carregam essas doenças correlatas, ou graves distúrbios físicos e psicológicos adquiridos no teatro da guerra, ou ambos. Crianças seus filhos e filhas nascidas com deformações já se contam aos milhares; DU é ‘democrático’.

O caráter genocida do terror nuclear, ou omnicida, conforme a expressão da cientista Rosalie Bertell ao expor os efeitos extremos mortais da radiação em sistemas biológicos, com extermínio da vida orgânica, foi retratado de modo indelével nas palavras de Jooma Khan, homem simples da província de Laghman, Afeganistão: “Depois que os americanos destruíram nossa aldeia e mataram muitos de nós, perdemos nossas casas e não tínhamos nada para comer. No entanto, nós teríamos enfrentado essas misérias e até aceitado, se os americanos não tivessem condenado todos nós à morte. Quando eu vi meu neto deformado, compreendi que minhas esperanças para o futuro tinham desaparecido, diferente do desalento da barbárie russa, mesmo que naquela época eu tenha perdido meu filho mais velho Shafiqullah. Dessa vez, no entanto, eu sei que somos parte de um genocídio invisível trazido a nós pela América. uma morte silenciosa da qual eu sei que não vamos escapar”.

TERROR E FINANÇAS
Não existe ‘guerra ao terror’; não se pode entrar em guerra contra um método de luta, nem faz sentido um país declarar guerra contra pequenos grupos que o adotam, e que merecem tratamento nas cortes de justiça, bastante suficientes para coibir seus desígnios destrutivos, como se fez e se faz em todos os países. A Espanha sofreu o atentado (suspeito como todos) ao metrô, com quase 200 mortos, e acionou as forças policiais e o poder de justiça, além de há décadas enfrentar o ETA, grupo político separatista basco que adota táticas terroristas.

Para os neocons e fascistas do Estado Profundo, a guerra ao terror é uma contrafação política que abre janelas e portas para rapinas e conquistas, com seu inseparável colar de crimes de guerra, e encobre a ação de um poder imperial armado em busca da hegemonia (hoje traduzida como sobrevivência da sua economia e da sua moeda) amparada em planos detalhados de redesenho de mapas geopolíticos, invasões e eliminação de povos e países, baseada em teorias que nada ficam a dever aos projetos nazistas e planos comunistas de domínio mundial. Não há diferença de propósitos e métodos entre as máquinas de guerra do prepotente novo século americano e do delirante império de mil anos delineado no “Mein Kampf”. (Há diferença em Hitler ter escrito um livro, Stalin ter escrito vários e Bush ser virgem de leitura; os velhos líderes totalitários mandavam no jogo e eram mais informados.)

Mas as mais de 750 bases militares dispersas pelo mundo, símbolo augusto do evanescente poder imperial, e o ímpeto de iniciar e manter guerras vão ver secar sua fonte de recursos, assim que o governo entrar em colapso financeiro. O jornalista e escritor inglês John Gray, em “A Shattering Moment in America’s Fall From Power”, em setembro em The Observer e countercurrents, resume: “A era da liderança americana global, que recua até a II Guerra Mundial, chegou ao fim. [...] Agora, com as finanças federais criticamente dependentes de grandes injeções contínuas de capital externo, são os países que desprezaram o modelo americano de capitalismo que irão conformar o futuro econômico da América. [...] Um novo mundo pouco previsível está vindo, no qual a America é apenas um dos muitos grandes poderes, e encara um futuro incerto que ela não mais pode modelar”.

Talvez isso favoreça a combalida causa da paz e reponha os EUA no seu espaço geopolítico original. A redução do peso do orçamento militar, como enfatiza o analista e escritor Chalmers Johnson, é imperativo para a continuidade da integridade do país. Ou se reorientam as ações do Estado, com a necessária recomposição das práticas econômicas e a preponderância de visões socialmente centradas, ou restará o lento mergulho numa fase repressiva na qual sublevações civis surgem como corolário natural. A reorganização das bases e dos mecanismos econômico-financeiros que regulam as relações entre países terá de ser levada à frente rapidamente, e os EUA são parte essencial, embora não mais soberana e autoritária, das vozes que irão definir a nova configuração. Num cenário político de mando de grupos fascistas orientados à (não mais possível) hegemonia, como desde o início do regime Cheney-Bush, essa participação será problemática. A criação de nova entidade política, com EUA, México e Canadá, e de nova moeda, citada como amero, introduz séria perturbação no já frágil equilíbrio mundial.

TERRORISMOS
Até 2003, ano da segunda invasão do Iraque, mesmo com o reinado de medo e violência e do assassinato dos seus adversários pelo ditador Saddam Hussein, não ocorriam atentados no Iraque. A difusão de avanços científicos facilita a pessoas e grupos a ação criminosa a partir de pequenas medidas, como envenenar água pública, espalhar microorganismos letais ou explodir uma bomba suja. A política de guerra ao terror do regime Cheney-Bush vem produzindo, com ênfase entre o ‘inimigo muçulmano’, o aumento firme do número de grupos que incluem o terror entre suas armas, o que oferece escoras à continuidade da política. Além de inventar, o regime Cheney-Bush alimenta o inimigo. A garantia contra o terrorismo de grupos repousa no respeito às características e inclinações dos diversos povos, na conquista da paz pela colaboração e na conversa de iguais.

Há falência da razão num regime que invade países em nome de falsidades e abriga as raízes das ações que condena nos outros com sua violação a leis e códigos internacionais e o espalhamento dos três terrores. Os EUA são o maior produtor, detentor e usuário de armas nucleares do mundo; os que mais estocam bombas nucleares; os maiores pesquisadores e produtores de armas químicas, bacteriológicas, biológicas, eletrônicas, de alterações comportamentais, de gases venenosos e paralisantes, de composições terrificantes de luz, raios e som, de manipulação de condições climáticas para provocar catástrofes; os campeões do uso do espaço para a promoção da guerra e da espionagem; e um longo e recheado etcétera em que pontificam pesquisas que soam a fantasia, como insetos eletrônicos de espionagem, implantes de nanochips transmissores em insetos reais e ‘poeiras invasivas inteligentes’. Não são signatários de tratados universais, como os da prevenção da proliferação de armas nucleares, de fabricação e uso de armas químicas, do uso de minas terrestres e outros.

Na nova situação pós-crise e colapso financeiro, dificultadas as políticas belicistas e reduzidas as ameaças à paz da parte dos EUA e da caudatária Otan, o ambiente poderá desanuviar-se um pouco e o movimento mundial pela paz e o desarmamento talvez retome seu vigor. Não há nessa afirmação ingenuidade política, mas a constatação de que a maioria das guerras, agressões, ditaduras e regimes fascistas é promovida ou apoiada pelos aliados.

O que difere o terror de Estado do terrorismo de grupos é que grupos só têm acesso a ações no varejo, e Estados fazem com inexcedível brutalidade o que se sabe. E também, se o terror de Estado carrega uma aura fascista de agressão desmedida, a resistência é vista com olhos complacentes e as populações vítimas aprovam o uso de métodos terroristas contra invasores genocidas brutais.

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*carlos menezes*
greenday.menezes@gmail.com
Inserido em: 2010-07-25 13:17:24

Nunca existiu um 'inimigo comunista', e Krutchov e Gorbatchev foram dois precalços. A 'Guerra Fria' foi um grande negócio. Na altura não se falava na máfia russa na URSS, apesar de existir, e os problemas com a segurança nacional reviam-se ao nível da política externa, com acordos internacionais sob armamento e conflitos regionais. Bush e a doutrina herdada da era Clinton em matéria de PESC, pela Secretária-de-Estado Madeline Albreigth, colocou os EUA no conflicto com 'o mundo Europeu'(intervenção na Jugoslávia), 'Rússia' , 'China', 'mundo Árabe(Guerra do Libano, Iraque, Somália) e perda de influência na América Latina, onde o Brasil passa a ser a potência regional, com estatuto internacional, junto das organizações internacionais. EUA como Estado fascista é dificil de acreditar em tal, dado que a sociedade já demonstrou mesmo durante o período do 'Acto Patriótico de Bush' a sua indignação e contestação ao regime. Aliás o fascismo norte-americano existe junto de élites e no sul dos EUA e zonas onde a taxa de analfabetismo é mais elevada. Mas a pobreza pode desencadear fenómenos onde rascismo, xenofobia, tribalismo e fascismo sejam motores de conflictos internos e de desestabilização da sociedade norte-americana. O crash de 2008, veio por si só demonstrar ´o perigo da actual situação económica dos EUA e uma eventual saturação dos mercados internos, falta de sustentabilidade ao nível internacional e perda de credibilidade face a um mercado europeu cada vez mais sólido e unificado. 'Uma guerra vem resolver os problemas, mas será que vai haver uma Cimeira das Lages II ? '


*manoel ramos de almeida*
manoelramosalmeida@hotmail.com
Inserido em: 2009-12-07 14:51:13

no brasil, mataram lampião-filho da casa
mataram sadam hussen-não era americano?
mataram che guevara,e
agora querem matar bim laden.
so prque essas pessoas pensaram ou pensam diferentes.?.
O que e' liberdade, e o que signidfica democracia.?


*José de Souza Castro*
josedesouzacastro@hotmail.com
Inserido em: 2008-11-07 13:54:27

"Outro fato é a presença no país desde o dia 4 de setembro de delegação e do chefe do ISI, general Mahmoud Ahmad, que se reuniu com altos representantes do Pentágono, do Conselho de Segurança Nacional, do Departamento de Estado e com o chefe da CIA George Tenet, e também com o falcão Joseph Biden (vice atual de Obama), então chefe do Comitê de Relações Exteriores do Senado". Yes, We Can. Nós podemos derrotar, com o medo, a esperança...
 Publicado em: 2008-11-03 por admin, última modificação em: 2009-04-23 por admin

 

 

     

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