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Ataque à Coisa Nossa
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José de Souza Castro, do Tamos com Raiva


Paulo Henrique Amorim divulga hoje no seu blog trechos selecionados do relatório de 7 mil páginas que a Polícia Federal encaminhou à Justiça sobre Daniel Dantas e Naji Narras. Segundo PHA, "esse trecho do documento que vazou para o Conversa Afiada não ’abre’ outros documentos que estão inacessíveis". O que se depreende da leitura, em primeiro lugar, é que os delegados encarregados das investigações e que foram afastados nesta semana pela chefia da Polícia Federal não tiveram tempo para fazer uma revisão do texto. Eles cometem erros de digitação e citam alguns nomes erroneamente. Mas o importante é que mostram alguns modos de agir da Coisa Nossa, com a possível colaboração da imprensa.

"Em vários momentos, durante a investigação, Naji Robert Nahas conversa com HNI" – lê-se logo no início, não ficando claro para quem lê quem é HNI –, "conversando sobre a aquisição de ’cotas’, com valor individual superior a duzentos milhões, por pessoas indeterminadas". Diz ter ficado claro, na análise da conversa, que se trata do Fundo Soberano do Brasil. O mais surpreendente nisso tudo, acrescenta o relatório, é que Nahas dialoga com interlocutores próximos, tais como "o renomado economista Delfim Netto como se alguém lhe conferisse tal responsabilidade de administração ou até mesmo uma plataforma de informações privilegiadas quando do lançamento do futuro fundo de investimentos brasileiro (Fundo Soberano), que inclusive ele já se aventura em captar investidores internacionais para tal propósito". (...) "É nítida a impressão que esta articulação estaria envolvido o ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto em alinhamento com os negócios criminosos de N. Nahas".

Delfim Netto, a quem não tenho acesso, deve ter todo o tempo do mundo para se defender na Justiça, se for convocado a esclarecer esse ponto do relatório.

O relatório começa a tratar, então, das ligações dos dois principais investigados com a imprensa. E informa que no dia 13 de março passado Naji Nahas conversou com o editor da revista Isto É Dinheiro, Leonardo Attuch. "Leonardo gostaria de anunciar Nahas à frente do Fundo Soberano e Nahas pede calma", diz o relatório. E acusa:

"Evidentemente com maior assiduidade na programação quase que diária dos meios de comunicação disponíveis o grupo comandado por D. Dantas se serve com maior freqüência do que o grupo comandado por N. Nahas, ambos são convergentes quando o interesse é comum ou divergentes em matérias publicadas como forma de ludibriar para atingir os seus objetivos e vantagens ao final daquela falsa discussão pública". (...) "Neste momento trazemos a luz algumas matérias de fomento ao acordo recentemente efetivado pela BrT, Oi, Citigroup e Opportunity (aqui leia-se Daniel Valente Dantas) referentes a alguns ’conceituados’ órgãos de imprensa escrita, tais como: revistas Isto É Dinheiro e Veja". O relatório cita artigo publicado dia 2/4/08 na Veja "por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa Diogo Mainardi".

E prossegue mais adiante: "No relatório de análise constou que no dia 13/11/2007, o investigado Daniel Dantas mantém diálogos com Verônica Dantas e Daniele Silbergleid, afirmando textualmente da necessidade de usar uma conexão direta entre eles e a imprensa como instrumento para plantar informações, a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa entre o Grupo Opportunity, Citigroup e Telecom Itália, pelo controle da empresa Brasil Telecom".

Em 18 de fevereiro de 2008, Cristina Caetano, do Opportunity, enviou e-mail interceptado pela PF para Alberto Pavie, um dos advogados de Daniel Dantas, indagando: "Retomamos a conversa com o Moreira Alves? Nosso prazo para entrar com a campanha difamatória é no começo de março e se não formos fazer com ele, temos que achar outra pessoa. Nós preferiríamos que vc redigisse, achamos que esse caso tem muitos fatos e seria melhor redigido por um civilista do que um criminalista". Segundo o relatório, Moreira Alves é "possivelmente ex-ministro do Supremo Tribunal Federal".

O relatório cita nove nomes de jornalistas e diz que é comum "assinarem matérias favoráveis aos interesses do Grupo Opportunity, principalmente à pessoa de Daniel Valente Dantas". Mas faz fogo principalmente contra uma repórter da Folha de S. Paulo que deu em abril deste ano o furo sobre as investigações da Polícia Federal contra Daniel Dantas. Diz: "Foram inúmeras tentativas que objetivavam o vazamento da presente investigação, todas frustradas ao longo do trabalho. No entanto no dia 17 de março do corrente ano, outra integrante da organização criminosa chamada Andréa Michael, travestida de correspondente da Jornal Folha de São Paulo na cidade de Brasília, oferece seus serviços diretamente ao Grupo de chefiado por D. Dantas" (...) "Para passar ao largo da crise que se aproximava, a investigada Andréa foi encarregada de publicar matéria no dia 26 do corrente ano no Jornal Folha de São Paulo, vazando algumas informações a respeito do fato em andamento, prejudicando sobremaneira a dinâmica do presente trabalho".

Provavelmente, neste caso os erros não são apenas de digitação e demonstram desconhecimento do modo de trabalhar da imprensa. Por isso, não vou citar aqui os nomes dos jornalistas, para não cometer injustiças. Parece que a Polícia Federal está confundindo um trabalho jornalístico com participação em quadrilha, mas vamos esperar que a justiça decida a respeito, se Andréa Michael e os outros forem denunciados pelo Ministério Público Federal. De qualquer forma, os mais curiosos podem ler esse trecho do relatório no Conversa Afiada.

Segundo o relatório, foi a partir da publicação da reportagem de Andréa que "houve uma investida pesada no judiciário em todas as instâncias, a fim de descobrir o conteúdo da presente investigação, negada até pelo Superior Tribunal de Justiça. Atualmente a matéria encontra-se distribuída perante o Supremo Tribunal Federal, no sentido de apreciar uma ordem de hábeas corpus, visando prevenir as conseqüências da presente investigação". Como sabemos, de fato Daniel Dantas foi preso por duas vezes e por duas vezes mandado soltar pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes.

Vamos aguardar os novos vazamentos. Como diz Paulo Henrique Amorim, o vazamento faz parte daquela escola famosa: "o sol é o melhor desinfetante". E acrescenta: "Nos Estados Unidos, uma das páginas mais nobres da imprensa, foi quando o New York Times publicou os ’Papéis do Pentágono’, vazados por Daniel Elsberg, a quem a elite branca de lá chamou de ’desequilibrado’, ’passional’, ’destemperado’, ’exibicionista’ ... Os ’Papéis do Pentágono’ revelaram a estratégia – desastrada – do Pentágono na Guerra do Vietnã. E ajudaram a acabar com a Guerra".

Se aqui os vazamentos ajudarem a acabar com a Coisa Nossa, já vão prestar um grande serviço ao país.

07.2008

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Inserido em: 2008-11-17 11:37:27

Minha pergunta e, nao tem como fazer uma passeata a favor do delegado protogenes, que esta sendo investigado pelos ladroes do governo por ter descoberto que sao esses os mesmos ladroes que roubam boa parte do nosso dinheiro trabalhado e suado? aguardo resposta.
 Publicado em: 2008-07-23 por cristina, última modificação em: 2008-07-23 por cristina
     

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